12 de fevereiro de 2026

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Exposição no CCBB do Rio traz olhar amazônico de fotógrafas do Pará

O Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro (CCBB) recebe a partir desta quarta-feira (11) a exposição Vetores-Vertentes: Fotógrafas do Pará, idealizada pelo Museu das Mulheres.

A mostra reúne 170 obras de 11 fotógrafas paraenses ─ de três gerações ─ e propõe uma experiência que incorpora recursos sensoriais e tecnológicos.

O recorte inclui nomes pioneiros como Leila Jinkings, Cláudia Leão, Bárbara Freire, Paula Sampaio e Walda Marques, passa por artistas como Evna Moura, Renata Aguiar, Nay Jinkings e Nailana Thiely, até chegar às artistas mais jovens, como Deia Lima e Jacy Santos.

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O público tem a oportunidade de explorar parte das fotografias em realidade aumentada. Na Instalação Icamiabas, é possível ter acesso às composições aromáticas inspiradas em guerreiras indígenas amazônicas.

Já no filme de realidade virtual Mukathu-hary (“Curandeira”, em tupi), o espectador é transportado para uma aldeia indígena de paisagem milenar. As salas da exposição trazem narrativas visuais que abordam identidade, território, memória, ancestralidade e resistência.

Identidade e fotografia expandida

Para a fotógrafa paraense Evna Moura, participar da exposição representa um reencontro com a própria trajetória. A produção da artista Evna dá destaque às ilhas e comunidades amazônicas, como Combu e Marajó, e a mostra traz fases diferentes do olhar dela.

Entre as obras expostas, há fotografias em preto e branco, coloridas e as chamadas fotos expandidas, que aproximam arte e experimentação técnica. Um exemplo são os trabalhos feitos a partir de impressões em folhas, no método de fototipia com pigmentos naturais.

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A artista destaca ainda o caráter intergeracional da mostra e como o trabalho dela como artista e educadora tem impactado novas gerações.

“Cláudia Leão foi minha professora na universidade e é uma inspiração. Leila Jinkings também é uma referência fundamental. Estar aqui com essas mulheres é muito significativo”, conta Evna.

Fotógrafa Evna Moura participa da Exposição no CCBB Rio Foto: Ana Paula Amorim/Divulgação

“Já encontrei ex-alunos que hoje são formados em artes visuais e dizem que escolheram esse caminho por causa das oficinas que ministrei. É muito bonito ver esses encontros”.

A presença da Amazônia como eixo central de sua produção também aparece como elemento político e simbólico que ajuda a romper visões estereotipadas.

“Durante muito tempo, nossa identidade foi ferida. Nossos traços e nossa cultura não eram valorizados. Trazer esses elementos para o Sudeste é também afirmar outras narrativas sobre nós. Mostrar uma Amazônia que não é apenas a da miséria, mas também da riqueza cultural, estética e humana”, diz Evna.

Pioneirismo e memória visual

Nome fundamental da fotografia paraense, Leila Jinkings revisita, na exposição, imagens produzidas desde o final dos anos 1970. Entre as obras selecionadas, ela destaca imagens de povos indígenas, travestis e registros de manifestações políticas.

“Gosto muito das fotografias do povo Kayapó. São imagens que levantam reflexões sobre choque cultural com os não indígenas”, diz Leila.

A fotógrafa relembra também o contexto histórico de parte de sua produção.

“Fotografei repressões durante a ditadura. Era um período duro, mas fundamental para compreender o papel da imagem para trazer luz para aqueles acontecimentos tão difíceis”, diz Leila.

 

Nome fundamental da fotografia paraense, Leila Jinkings tem trabalho exposto no CCBB Rio. Foto: Ana Paula Amorim/Divulgação

Narrativa feminina

A curadora Sissa Aneleh explica que a organização da exposição reflete uma leitura histórica e conceitual da fotografia paraense. A proposta dialoga diretamente com sua pesquisa acadêmica de mais de 15 anos.

Segundo Sissa, a mostra não pretende esgotar a produção amazônica, mas evidenciar sua potência.

“Uma exposição nunca será suficiente para mostrar toda a produção artística do Pará, mas podemos revelar sua força conceitual, estética e narrativa”, diz Sissa.

A noção de “visualidade amazônica” surge como eixo estruturante da exposição.

“É um conceito que começou a ganhar força nas décadas de 70 e 80, quando artistas passaram a refletir sobre o que seria imediatamente identificável com a Amazônia. Elementos recorrentes, como água, território e presença feminina atravessam diferentes obras”, conclui a curadora.

Serviço

Vetores-Vertentes: Fotógrafas do Pará

Local: CCBB Rio de Janeiro

Temporada: 11 de fevereiro a 30 de março

Visitação: quarta a segunda, das 9h às 20h

Ingressos: site do CCBB e link da bio do Museu das Mulheres

Entrada: gratuita

Classificação livre