{"id":25436,"date":"2025-07-04T09:31:53","date_gmt":"2025-07-04T12:31:53","guid":{"rendered":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/2025\/07\/04\/artistas-recriam-obras-famosas-com-vies-anticolonial-e-antirracista\/"},"modified":"2025-07-04T09:31:53","modified_gmt":"2025-07-04T12:31:53","slug":"artistas-recriam-obras-famosas-com-vies-anticolonial-e-antirracista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/2025\/07\/04\/artistas-recriam-obras-famosas-com-vies-anticolonial-e-antirracista\/","title":{"rendered":"Artistas recriam obras famosas com vi\u00e9s anticolonial e antirracista"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div wp_automatic_readability=\"242.13965114987\">\n<p>Usando len\u00e7\u00f3is como tela, o artista beninense Rom\u00e9o Mivekannin\u00a0recria obras consagradas mundialmente, principalmente das cole\u00e7\u00f5es do famoso Museu do Louvre, em Paris, com um novo olhar e novos personagens. Nas releituras, as pessoas brancas que protagonizam as obras originais perdem espa\u00e7o para autorretratos de Mivekannin, um homem negro.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o <em>O Avesso do Tempo<\/em>, que entre dezembro de 2024 e junho de 2025, ocupou o Museu Louvre Lens \u2013 unidade localizada em Lens, cidade no norte da Fran\u00e7a, chega ao Brasil no Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador, de agosto a novembro, como parte da Temporada Fran\u00e7a-Brasil.<\/p>\n<p><strong>&gt;&gt; Confira os destaques da programa\u00e7\u00e3o da Temporada da Fran\u00e7a no Brasil<\/strong><\/p>\n<p><strong>Delegado revela que sangue encontrado no carro de Adalberto n\u00e3o \u00e9 da esposa; outra mulher<\/strong><\/p>\n<p><strong>Entenda o que \u00e9 o Brics, grupo que se re\u00fane a partir de domingo no Rio<\/strong><\/p>\n<p>Nas obras do artista, as substitui\u00e7\u00f5es evidenciam quest\u00f5es como: Quem est\u00e1 pintando? Quem est\u00e1 sendo pintado? Quem est\u00e1 presente nas obras e quem est\u00e1 ausente nelas? Na releitura da <em>Balsa da Medusa<\/em>, de Th\u00e9odore G\u00e9ricault, de 1819, por exemplo, \u00e9 ele que aparece ocupando alguns dos rostos daqueles que sobreviveram ao naufr\u00e1gio Fragata de Medusa, no qual o quadro foi inspirado.<\/p>\n<p>\u201cEle se insere para reescrever a hist\u00f3ria, para propor a sua narrativa. Ele tamb\u00e9m nos interpela para nos fazer entrar nessa hist\u00f3ria para, quem sabe, reescrever as nossas narrativas e questionar os sistemas de domina\u00e7\u00e3o atuais\u201d, explica a gerente de atividades educacionais do museu, Evelyne Reboul, que acompanhou a <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong> em visita guiada pela exposi\u00e7\u00e3o no Louvre Lens.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\" wp_automatic_readability=\"3.5387453874539\">\n<h6 class=\"meta\">Usando len\u00e7\u00f3is como tela, o artista beninense Rom\u00e9o Mivekannin\u00a0recria obras consagradas mundialmente\u00a0<strong>FREDERIC IOVINO\/Divulgac\u0327a\u0303o<\/strong><!--END copyright=429428--><\/h6>\n<\/div>\n<p>Rom\u00e9o Mivekannin nasceu em 1986, em Bouak\u00e9, na Costa do Marfim, mas\u00a0vive e trabalha entre a Fran\u00e7a e o Benin. \u00c9 formado em arquitetura e come\u00e7ou a pintar em 2019, influenciado pela exposi\u00e7\u00e3o <em>O corpo negro, de G\u00e9ricault a Matisse<\/em>, no Museu D\u2019Orsay, em Paris. A exposi\u00e7\u00e3o discutia a presen\u00e7a negra nas obras de arte.<\/p>\n<p>Mivekannin \u00e9 tamb\u00e9m descendente da realeza de Benin. O\u00a0\u00faltimo rei independente de Daom\u00e9 \u2013 que, quando colonizado pela Fran\u00e7a, passa a se chamar Benin \u2013 foi Behanzin, tatarav\u00f4 dele.\u00a0 \u00a0<\/p>\n<p>O material escolhido para as obras tamb\u00e9m \u00e9 simb\u00f3lico, de acordo com Reboul. Pela cultura \u00e0 qual pertence, len\u00e7\u00f3is n\u00e3o devem ser reutilizados. Ele usa justamente len\u00e7\u00f3is de brech\u00f3s europeus, que\u00a0passam por uma lavagem de ervas para purifica\u00e7\u00e3o. \u00c9\u00a0sobre eles que o artista redesenha a hist\u00f3ria.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEm certas obras, ele nos mostrou que costurou, dentro dos len\u00e7\u00f3is, cartas\u00a0que ele escreveu para pedir \u00e0s personagens autoriza\u00e7\u00e3o para ocupar os seus lugares\u201d, conta. O pedido, segundo Reboul, faz parte de pr\u00e1tica religiosa do vudu, religi\u00e3o que nasce no Benin. Al\u00e9m de pratic\u00e1-la,\u00a0Mivekannin a\u00a0retrata em suas pr\u00f3prias obras.<\/p>\n<p>Outra obra da exposi\u00e7\u00e3o\u00a0traz uma releitura do quadro <em>Retrato de Madeleine<\/em>, de Marie-Guillemine Benoist, de 1800. Ao inv\u00e9s de Madeleine, \u00e9 ele quem aparece com um turbante na cabe\u00e7a, olhando diretamente para quem observa a obra.<\/p>\n<p>\u201cEsse quadro se chamava Retrato de uma Mulher Negra. Durante muito tempo, foi uma obra sem identidade\u201d, diz Reboul. O quadro original foi renomeado em 2019, quando a mulher foi reconhecida como Madeleine, que foi de Guadalupe para a Fran\u00e7a ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o nos territ\u00f3rios franceses, em 1794. Ela trabalhou para a fam\u00edlia de Bernoist.<\/p>\n<p>O tatarav\u00f4 tamb\u00e9m \u00e9 homenageado na exposi\u00e7\u00e3o. O \u00faltimo rei independente de Daom\u00e9 aparece com as esposas em uma fotografia. Mivekannin tamb\u00e9m se insere no retrato. Assim como se insere em outra fotografia, que mostra um grupo de mulheres negras e um homem branco colonizador junto com elas. Uma delas tem um olhar desafiador, mostrando descontentamento com a situa\u00e7\u00e3o. \u00c9 essa mulher que Mivekannin imita.<\/p>\n<h2>Brasil ilustrado<\/h2>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o <em>Brasil Ilustrado \u2013 Um legado p\u00f3s-colonial de Jean-Baptiste Debret<\/em> tamb\u00e9m imp\u00f5e um desafio:\u00a0olhar cuidadosamente para as imagens produzidas pelo pintor franc\u00eas sobre o Brasil, entre 1816 e 1839, evidenciando as viol\u00eancias ali presentes e propondo ressignifica\u00e7\u00f5es. A exposi\u00e7\u00e3o, apresentada em Paris, na Casa da Am\u00e9rica Latina, chegar\u00e1 ao Museu do Ipiranga, em S\u00e3o Paulo, acompanhada de col\u00f3quio e publica\u00e7\u00e3o sobre a obra de Debret, tamb\u00e9m como parte da programa\u00e7\u00e3o da Temporada Fran\u00e7a-Brasil.<\/p>\n<p>Debret foi um pintor, desenhista e professor franc\u00eas\u00a0que integrou a Miss\u00e3o Art\u00edstica Francesa (1817). O grupo\u00a0fundou, no Rio de Janeiro, uma academia de Artes e Of\u00edcios, mais tarde Academia Imperial de Belas Artes, onde lecionou. Quando voltou \u00e0 Fran\u00e7a, publicou <em>Viagem Pitoresca e Hist\u00f3rica ao Brasil<\/em> (1834-1839), com gravuras que havia mantido em segredo, n\u00e3o enviando ao pa\u00eds de origem. As imagens mostram o cotidiano do Rio de Janeiro, em uma sociedade escravocrata repleta de viol\u00eancias contra pessoas negras.<\/p>\n<p>O livro chegou a ser censurado pela biblioteca imperial na Fran\u00e7a e foi esquecido, at\u00e9 ser publicado no Brasil em 1940. O problema, de acordo com o pesquisador especialista na obra de Jean-Baptiste Debret, Jacques Leenhardt, curador da exposi\u00e7\u00e3o, \u00e9 que o que era viol\u00eancia e chocou a sociedade francesa\u00a0n\u00e3o teve o mesmo impacto no Brasil, que viu as cenas como corriqueiras. As gravuras foram amplamente divulgadas em livros did\u00e1ticos e at\u00e9 mesmo em <em>souvenires<\/em>, em panos de prato e outros objetos.<\/p>\n<blockquote wp_automatic_readability=\"12\">\n<p>\u201cPor isso, eu coloquei na exposi\u00e7\u00e3o uma sele\u00e7\u00e3o de imagens ligadas ao trabalho, porque o tempo todo ele est\u00e1 falando que quem trabalha no Brasil \u00e9 o escravo. O portugu\u00eas n\u00e3o trabalha. Aparece comendo doces, etc. Quem trabalha \u00e9 o negro, \u00e9 o escravo\u201d, diz.\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Quando o livro \u00e9 rejeitado na Fran\u00e7a, ele recebe um parecer: \u201cEsta n\u00e3o \u00e9 a realidade brasileira. Tem um desenho que mostra os negros escravizados que chegam ao Valongo [porto no Rio de Janeiro] muito magros e quase morrendo ap\u00f3s a viagem. E o coment\u00e1rio que se faz, que hoje \u00e9 inacredit\u00e1vel, \u00e9 de que \u2018o\u00a0que Debret faz s\u00e3o esqueletos, ele n\u00e3o sabe desenhar`. Mas a realidade era exatamente aquela\u201d, diz Leenhardt.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\">\u00a0A obra <em>Trabalho<\/em> (2017), de Jaime Lauriano, re\u00fane uma s\u00e9rie de elementos que refor\u00e7am o racismo presente na sociedade\u00a0<strong>Galeria Nara Roesler\/Divulgac\u0327\u00e3o<\/strong><!--END copyright=429429--><\/h6>\n<\/div>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o re\u00fane obras de 15 artistas brasileiros que dialogam ou mesmo recriam os desenhos de Debret.\u00a0Uma delas, a obra <em>Retrato da M\u00e3e e transforma\u00e7\u00f5es<\/em> (2022), de Eust\u00e1quio Neves, utiliza imagens da pr\u00f3pria m\u00e3e em uma s\u00e9rie de negativos fotogr\u00e1ficos nos quais vai, aos poucos, inserindo uma m\u00e1scara de metal que era usada nas pessoas escravizadas, tapando a boca para que elas n\u00e3o pudessem se matar para fugir da situa\u00e7\u00e3o de escravid\u00e3o, comendo terra. Ao lado, o desenho de Debret no qual a m\u00e1scara aparece.\u00a0<\/p>\n<p>A obra <em>Trabalho<\/em> (2017), de Jaime Lauriano, re\u00fane uma s\u00e9rie de elementos que refor\u00e7am o racismo presente na sociedade, como avisos de \u201cA entrada de servi\u00e7o \u00e9 pelos fundos\u201d e uma lista de profiss\u00f5es muitas vezes ocupadas por pessoas negras sem que seja dada a elas alternativas, como empacotador, faxineira, empregada dom\u00e9stica, gar\u00e7om, gari, entre outras. Ele re\u00fane tamb\u00e9m objetos que utilizam e normalizam os desenhos de Debret, como calend\u00e1rios e tape\u00e7arias.\u00a0<\/p>\n<p>Em <em>Espera da reza pro bater do tambor<\/em> (2024),\u00a0G\u00ea Viana\u00a0recria a obra de Debret, dando protagonismo \u00e0s pessoas negras e inserindo elementos atuais como uma aparelhagem de som.\u00a0<\/p>\n<h2>Temporada Fran\u00e7a-Brasil<\/h2>\n<p>A Temporada 2025 foi acordada em 2023, pelos presidentes Luiz In\u00e1cio Lula da Silva e Emmanuel Macron. O objetivo \u00e9 fortalecer a rela\u00e7\u00e3o bilateral entre os dois pa\u00edses, principalmente por meio da cultura. No primeiro semestre deste ano, ocorreu a Temporada Brasil-Fran\u00e7a, ou seja, a programa\u00e7\u00e3o brasileira em solo franc\u00eas. Agora, no segundo semestre, \u00e9 a vez da Temporada Fran\u00e7a-Brasil, elaborada pela Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Os temas priorit\u00e1rios da Temporada s\u00e3o: a diversidade de sociedades e di\u00e1logo com \u00c1frica; democracia e Estado de direito; e, clima e transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica. A programa\u00e7\u00e3o, que ocorre de agosto a dezembro, ser\u00e1 distribu\u00edda entre 15 cidades brasileiras: S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Bras\u00edlia, Bel\u00e9m, Salvador, Recife, Fortaleza, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Campinas, S\u00e3o Lu\u00eds, Teresina, Jo\u00e3o Pessoa e Macap\u00e1.<\/p>\n<p>Entre os dias 17 e 24 de maio, a <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong> esteve em Paris, a convite do Instituto Franc\u00eas, vinculado ao Minist\u00e9rio dos Neg\u00f3cios Estrangeiros da Fran\u00e7a, respons\u00e1vel pela programa\u00e7\u00e3o do segundo semestre, para conhecer um pouco da programa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>*A rep\u00f3rter viajou a\u00a0Paris a convite do Instituto Franc\u00eas.<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Usando len\u00e7\u00f3is como tela, o artista beninense Rom\u00e9o Mivekannin\u00a0recria obras consagradas mundialmente, principalmente das cole\u00e7\u00f5es&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-25436","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jogos-ao-vivo"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25436","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25436"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25436\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25436"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25436"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25436"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}