{"id":29317,"date":"2025-09-07T23:56:17","date_gmt":"2025-09-08T02:56:17","guid":{"rendered":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/2025\/09\/07\/cineastas-negras-reivindicam-acoes-afirmativas-para-o-audiovisual\/"},"modified":"2025-09-07T23:56:17","modified_gmt":"2025-09-08T02:56:17","slug":"cineastas-negras-reivindicam-acoes-afirmativas-para-o-audiovisual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/2025\/09\/07\/cineastas-negras-reivindicam-acoes-afirmativas-para-o-audiovisual\/","title":{"rendered":"Cineastas negras reivindicam a\u00e7\u00f5es afirmativas para o audiovisual"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div wp_automatic_readability=\"141.99899040888\">\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan)\u00a0promoveu nesta semana uma audi\u00eancia no Congresso Nacional para debater o futuro das pol\u00edticas afirmativas no setor do cinema. O encontro, convocado pela Comiss\u00e3o de Cultura da C\u00e2mara dos Deputados, contou com a presen\u00e7a de parlamentares, lideran\u00e7as do audiovisual e representantes da sociedade civil.<\/p>\n<p>\u201cAs discuss\u00f5es em Bras\u00edlia ocorrem em um cen\u00e1rio que a Apan considera um\u00a0\u201cponto de inflex\u00e3o\u201d para o audiovisual brasileiro:\u00a0de um lado, h\u00e1 conquistas recentes em pol\u00edticas p\u00fablicas; e, de outro, o desafio de consolidar a repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e o fortalecimento de uma ind\u00fastria que reflita, de fato, a pluralidade e a pot\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o negra, maioria no pa\u00eds\u2019\u2019, reflete a presidente da Apan, Tatiana Carvalho Costa.<\/p>\n<p>Para a presidenta da associa\u00e7\u00e3o, o momento \u00e9 estrat\u00e9gico para a constru\u00e7\u00e3o de um debate p\u00fablico capaz de sensibilizar diferentes setores da pol\u00edtica nacional.<\/p>\n<p><strong>Roda do Choro ter\u00e1 Batucada no anivers\u00e1rio de 102 anos da R\u00e1dio MEC<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pol\u00edcia usa g\u00e1s lacrimog\u00eaneo para despejar ocupantes de pr\u00e9dio no Rio\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEssa audi\u00eancia p\u00fablica foi super importante, sobretudo,\u00a0neste momento em que se discute a repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Ela pode ajudar\u00a0em uma sensibiliza\u00e7\u00e3o do Parlamento,\u00a0do poder p\u00fablico, nos estados e munic\u00edpios, e da popula\u00e7\u00e3o em geral, para uma consci\u00eancia maior sobre a import\u00e2ncia da manuten\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es afirmativas no audiovisual, pensando tamb\u00e9m as empresas de pessoas negras e ind\u00edgenas\u201d.<\/p>\n<p>Uma pesquisa publicada pela Ag\u00eancia Nacional do Cinema (Ancine), em 2016,\u00a0apontava\u00a0que\u00a02% dos diretores de filmes lan\u00e7ados comercialmente eram negros. Entre roteiristas, o \u00edndice era de apenas 4%.<\/p>\n<p>Em 2019, um levantamento do Grupo de Estudos Multidisciplinares da A\u00e7\u00e3o Afirmativa (Gemaa\/Uerj) revelou que, entre 142 longas-metragens brasileiros lan\u00e7ados, apenas um tinha sido\u00a0dirigido por uma mulher negra at\u00e9 aquele ano. <strong>Entre 1908 e 2015, dos mais de 2,5 mil filmes brasileiros produzidos, menos de 1% tiveram protagonismo negro.<\/strong><\/p>\n<blockquote wp_automatic_readability=\"7.6406779661017\">\n<p>\u201cIsso significa que, em mais de um s\u00e9culo de cinema, a hist\u00f3ria da popula\u00e7\u00e3o negra foi apagada ou estigmatizada\u2019\u2019, reitera M\u00e1rcia C\u00e2ndido, do\u00a0Gemaa.<\/p>\n<p><strong>Caminhos para Exu celebra resist\u00eancia dos povos de terreiro no DF<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ato pr\u00f3-Bolsonaro une governadores e parlamentares de direita em SP<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\" wp_automatic_readability=\"6\">\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\" wp_automatic_readability=\"7\">\n<p>Pesquisadora do Gemaa\/Uerj Marcia Rangel C\u00e2ndido\u00a0<strong>Gemaa\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><!--END copyright=375200--><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cAs pol\u00edticas afirmativas s\u00e3o fundamentais para promover uma participa\u00e7\u00e3o mais diversa na produ\u00e7\u00e3o audiovisual nacional. Elas garantem n\u00e3o s\u00f3 maior inclus\u00e3o de grupos sociais como construtores de representa\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m impactam nas pr\u00f3prias representa\u00e7\u00f5es criadas, com perspectivas sociais variadas que passam a chegar ao p\u00fablico\u201d, complementa C\u00e2ndido.<\/p>\n<p>Nat\u00e1lia Carneiro representou o o\u00a0Geled\u00e9s\/Instituto Mulher Negra na audi\u00eancia e ponderou que o\u00a0cinema\u00a0n\u00e3o \u00e9 apenas uma ind\u00fastria cultural.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um espelho\u00a0e, mais do que isso,\u00a0\u00e9 uma m\u00e1quina de fabricar imagin\u00e1rios. Ele define quem pode ser her\u00f3i, quem pode ser protagonista, quem \u00e9 sempre figurante. Ele ensina gera\u00e7\u00f5es inteiras a imaginar a si mesmas \u2014 ou a n\u00e3o se ver em lugar nenhum. E o que vemos hoje? Vemos que, historicamente, a popula\u00e7\u00e3o negra foi sistematicamente exclu\u00edda do cinema brasileiro\u2019\u2019<\/p>\n<p>Durante sua explana\u00e7\u00e3o, Carneiro tamb\u00e9m citou o conceito de\u00a0epistemic\u00eddio, uma destrui\u00e7\u00e3o e apagamento de conhecimentos, saberes e culturas de povos n\u00e3o assimilados pela cultura ocidental. Segundo ela, isso se manifesta no cinema pela aus\u00eancia de protagonistas, na redu\u00e7\u00e3o de pessoas negras a estere\u00f3tipos e\u00a0na recusa em permitir que elas narrem suas pr\u00f3prias hist\u00f3rias.<\/p>\n<blockquote wp_automatic_readability=\"5\">\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 apenas uma exclus\u00e3o simb\u00f3lica. \u00c9 uma forma de negar humanidade\u2019\u2019.<\/p>\n<\/blockquote>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-left\">\n<h6 class=\"meta\">Pesquisadora Nat\u00e1lia Carneiro\u00a0<strong>Samyz Cruls\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><!--END copyright=435895--><\/h6>\n<\/div>\n<p>Carneiro cita um levantamento ainda in\u00e9dito do Geled\u00e9s, que avalia a distribui\u00e7\u00e3o de recursos em quase tr\u00eas d\u00e9cadas de ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>\u201cIdentificamos que, em 2022, por exemplo, os homens brancos obtiveram cerca de 30 vezes mais investimentos p\u00fablicos em seus filmes do que as mulheres negras\u201d, complementa\u00a0Nat\u00e1lia Carneiro.<\/p>\n<p>Participante da mesa de discuss\u00e3o na C\u00e2mara, a pesquisadora, cineasta e produtora Viviane Ferreira apresentou o estudo\u00a0\u201cEmpresas audiovisuais vocacionadas para repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAs empresas que atuam na repara\u00e7\u00e3o\u00a0s\u00e3o aquelas atuantes no setor audiovisual\u00a0que apresentem, em seu corpo societ\u00e1rio, 50% ou mais de pessoas negras e ou ind\u00edgenas com poder decis\u00f3rio sobre 50% ou mais das quotas societ\u00e1rias\u2019\u2019, definiu\u00a0a cineasta.<\/p>\n<p>Viviane Ferreira foi a segunda mulher negra no Brasil a dirigir individualmente um longa-metragem de fic\u00e7\u00e3o, sendo precedida por Ad\u00e9lia Sampaio, com <em>Amor Maldito,<\/em>\u00a0em 1984.\u00a0 Seu longa, <em>Um Dia Com Jerusa<\/em>\u00a0(2020) aborda temas como a solid\u00e3o e a ancestralidade da mulher negra, por meio do encontro de personagens de diferentes gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de dados, o estudo da pesquisadora apresenta as quest\u00f5es que envolvem a produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica e o que seria o \u201ccinema negro\u201d, que ela define como \u201cconjunto de movimentos cinematogr\u00e1ficos, est\u00e9tico-pol\u00edticos, integrados por corpos-negros territ\u00f3rios, munidos de poder de inven\u00e7\u00e3o e orientados pela liberdade po\u00e9tica para articular est\u00e9ticas e subjetividades capazes de fortalecer trilhas e caminhos que conduzam corpos-negros \u00e0 utopia do \u201cbem viver\u201d no imagin\u00e1rio coletivo social\u2019\u2019.<\/p>\n<blockquote wp_automatic_readability=\"12\">\n<p>\u201cN\u00e3o adianta s\u00f3 fazer filmes.\u00a0Precisamos tamb\u00e9m formar os nossos. N\u00e3o adianta s\u00f3 fazer filmes, temos que ter uma empresa para fazer filmes. N\u00e3o adianta s\u00f3 fazer filmes, tem que aprender a captar recursos. Ent\u00e3o, sem fortalecimento de nossas empresas, n\u00e3o estamos em um lugar de tranquilidade fazendo filmes\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Associa\u00e7\u00e3o de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan)\u00a0promoveu nesta semana uma audi\u00eancia no Congresso Nacional&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-29317","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jogos-ao-vivo"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29317","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29317"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29317\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29317"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29317"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29317"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}