{"id":29838,"date":"2025-09-16T10:46:18","date_gmt":"2025-09-16T13:46:18","guid":{"rendered":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/2025\/09\/16\/historia-afro-nas-escolas-ajuda-a-reduzir-preconceitos-dizem-mestres\/"},"modified":"2025-09-16T10:46:18","modified_gmt":"2025-09-16T13:46:18","slug":"historia-afro-nas-escolas-ajuda-a-reduzir-preconceitos-dizem-mestres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/2025\/09\/16\/historia-afro-nas-escolas-ajuda-a-reduzir-preconceitos-dizem-mestres\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria afro nas escolas ajuda a reduzir preconceitos, dizem mestres"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div wp_automatic_readability=\"174.44054669704\">\n<p>Mestres da cultura popular defendem o ensino da hist\u00f3ria e cultura afro-brasileiras e africanas nas escolas como forma de combater a intoler\u00e2ncia e o racismo. No Brasil, esse ensino est\u00e1 previsto na Lei 10.639\/03 e deve ocorrer em todas as escolas p\u00fablicas e particulares. A lei, no entanto, n\u00e3o \u00e9 cumprida em muitas institui\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cTem escola que finge que faz, tem escola que nem finge. Tem algumas que colocam uma estante com alguns livrinhos. Para que? Se algu\u00e9m pergunta, respondem \u2018N\u00f3s temos, olha nossa biblioteca, mas \u00e9 fingimento\u201d, diz a Rainha de Congo das Guardas de Congo e Mo\u00e7ambique Treze de Maio de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio, Isabel Casimira, que \u00e9 tamb\u00e9m dirigente da Federa\u00e7\u00e3o dos Congados de Minas Gerais.<\/p>\n<p>Isabel Casimira \u00e9 codiretora do filme <em>A Rainha Nzinga Chegou<\/em> (2019), premiado em festivais nacionais e internacionais, exibido no 14\u00aa Festival Artes Vertentes, em Tiradentes.<\/p>\n<p><strong>Virada Sustent\u00e1vel celebra 15 anos com programa\u00e7\u00e3o diversa e gratuita<\/strong><\/p>\n<p><strong>Universaliza\u00e7\u00e3o do saneamento na Amaz\u00f4nia pode gerar R$ 330 bilh\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Nesta edi\u00e7\u00e3o do festival, ela participou tamb\u00e9m de debate ao lado de Claudinei Matias do Nascimento, conhecido como Mestre-Capit\u00e3o Prego do Congado Nossa Senhora do Ros\u00e1rio e Escrava Anast\u00e1cia.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Ambos defenderam a educa\u00e7\u00e3o como forma de os brasileiros conhecerem a pr\u00f3pria hist\u00f3ria, e de a hist\u00f3ria do povo negro e todas as suas contribui\u00e7\u00f5es nas mais diversas \u00e1reas de conhecimento n\u00e3o serem apagadas.<\/p>\n<p>A Rainha de Congo conta que realiza conversas e palestras em escolas para ajudar na forma\u00e7\u00e3o de professores para este ensino. Ela diz que muitas vezes os pr\u00f3prios professores n\u00e3o dominam o assunto. Ela d\u00e1, ent\u00e3o, orienta\u00e7\u00f5es que por vezes s\u00e3o simples, mas fazem diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cQuando a professora vai falar, por exemplo, de candombl\u00e9 e diz que povo de candombl\u00e9 veste vermelho. Qual o povo? Quantos povos t\u00eam? A pobre da mulher nem sabe que existem v\u00e1rias etnias que podem ser chamadas de candombl\u00e9. Se ela n\u00e3o sabe, ela n\u00e3o pode falar do povo de candombl\u00e9. Ela tem que p\u00f4r junto [o termo] \u2018alguns\u2019, porque quando ela insere \u2018alguns\u2019, ela abre para mais: \u2018Alguns povos de candombl\u00e9 vestem vermelho\u2019. As professoras ficam felizes quando entendem que com uma palavra ela pode falar sem criar bobagem na cabe\u00e7a dos alunos\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Copom inicia reuni\u00e3o nesta ter\u00e7a para definir taxa b\u00e1sica de juros<\/strong><\/p>\n<p><strong>Amigos, parentes e m\u00fasicos se despedem de Hermeto Pascoal<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 Mestre Prego diz que \u00e9 procurado por diversas escolas de fora de Minas Gerais, mas que n\u00e3o \u00e9 valorizado no pr\u00f3prio munic\u00edpio.<\/p>\n<p>\u201cA gente recebe aqui v\u00e1rias escolas do Rio de Janeiro e eu dou a oficina de toque de tambor, ensino os nossos cantos de Congo e Mo\u00e7ambique e tamb\u00e9m dou oficina de bal\u00e3o de pintura no atelier. O\u00a0interessante \u00e9 falar sobre a nossa cultura. A gente recebe essas escolas todas, mas nas escolas do munic\u00edpio ningu\u00e9m tem interesse de falar sobre a cultura dos nossos povos negros e tampouco dos ind\u00edgenas\u201d, diz.<br \/>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\"><!--copyright=437050-->O fundador e l\u00edder do Congado Nossa Senhora do Ros\u00e1rio e Escrava Anast\u00e1cia, Claudinei Matias do Nascimento, conhecido como Mestre Prego \u2013 <strong>Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=437050--><\/h6>\n<\/div>\n<h2>Intoler\u00e2ncia<\/h2>\n<p>O desconhecimento gera preconceitos. O congado e a igreja cat\u00f3lica compartilham a devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Nossa Senhora do Ros\u00e1rio. Mestre Prego conta que o grupo costumava ter acesso \u00e0 igreja, em Tiradentes, mas que isso mudou. Foram proibidos de entrar enquanto tivessem no nome e na bandeira que os identifica a Escrava Anast\u00e1cia.<\/p>\n<p>\u201cHoje, para a gente, \u00e9 uma data importante. A gente est\u00e1 recebendo uma rainha, a nossa Rainha Conga do Estado de Minas Gerais. Ent\u00e3o hoje, para n\u00f3s, era um dia que n\u00f3s ter\u00edamos que entrar na igreja, a igreja que foi feita pelos nossos irm\u00e3os, para a gente louvar\u201d, lamenta o mestre.<\/p>\n<p>Ele ressalta que na regi\u00e3o viveram 22 mil pessoas escravizadas e que foram elas as respons\u00e1veis pela pavimenta\u00e7\u00e3o das ruas, feitas de pedras colocadas \u00e0 m\u00e3o; pela constru\u00e7\u00e3o das igrejas, dos casar\u00f5es, hist\u00f3ria que tamb\u00e9m \u00e9 silenciada e n\u00e3o faz parte das rotas tur\u00edsticas tradicionais.\u00a0<\/p>\n<p>Isabel Casimira complementa que o ensino nas escolas ajudaria as pessoas a conhecerem e respeitarem cren\u00e7as e religi\u00f5es, mesmo que diferentes da que praticam.<\/p>\n<blockquote wp_automatic_readability=\"15\">\n<p>\u201c[Seria bom] se dentro de cada escola tivesse uma pessoa que fosse que n\u00e3o falasse de religi\u00e3o, mas de educa\u00e7\u00e3o. De educar as pessoas para que elas entendam a hist\u00f3ria do outro. A pessoa pode ser evang\u00e9lica, budista, umbandista, cat\u00f3lica. Independentemente do que ela seja, se ela for educada para respeitar o sagrado alheio, ela \u00e9 uma boa pessoa\u201d, defende.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>E acrescenta: \u201cAssim como algu\u00e9m chama Deus de Jeov\u00e1, de Allah, de Maom\u00e9, de Buda, seja que denomina\u00e7\u00e3o for, o nosso jeito de falar com Deus \u00e9 chamar ele de Zambi. Ele \u00e9 nosso pai, ele \u00e9 nosso pai Zambi. N\u00e3o tem nada demais eu falar diferente coisas iguais\u201d.<\/p>\n<h2>Patrim\u00f4nio Cultural<\/h2>\n<p>Em 2025, ap\u00f3s 17 anos de espera, o congado tornou-se Patrim\u00f4nio Cultural do Brasil, registrado como Saberes do Ros\u00e1rio: Reinados, Congados e Congadas no Livro dos Saberes do Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan).<\/p>\n<p>Essas tradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o diversas, incluem, por exemplo, massambiques (mo\u00e7ambiques), congos (congados, conguistas, congueiros), catop\u00eas (catup\u00e9s, catop\u00e9s), marujos, caboclos (caboclinhos, penachos, cabocladas), tamborzeiros, pifeiros, entre outros grupos rituais, e reinados (c\u00f4rtes ou tronos coroados) descritos e registrados por pesquisadores, em diferentes contextos e regi\u00f5es do Brasil, especialmente nos estados de Goi\u00e1s, Minas Gerais e S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>As tradi\u00e7\u00f5es contam com mais de 300 anos de hist\u00f3ria e t\u00eam como identidade fundamental a ancestralidade de matriz africana com canto, ritmo e dan\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<h2>Festival Artes Vertentes<\/h2>\n<p>A 14\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Festival Artes Vertentes tem como tema Entre as margens do Atl\u00e2ntico, propondo um di\u00e1logo entre tr\u00eas continentes intimamente ligados pela hist\u00f3ria: Am\u00e9rica, \u00c1frica e Europa.<\/p>\n<p>A programa\u00e7\u00e3o de 2025 tamb\u00e9m faz parte da Temporada Fran\u00e7a-Brasil, que ocorre at\u00e9 o final do ano em 15 cidades brasileiras e tem como objetivo aproximar, por meio da cultura, os dois pa\u00edses.<\/p>\n<p>O festival segue at\u00e9 dia 21 na cidade de Tiradentes, com mostras de cinema que discutem mem\u00f3ria, ancestralidade e resist\u00eancia tamb\u00e9m nas cidades de S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei e Bichinho. Mais detalhes no site www.artesvertentes.com\/.<\/p>\n<p><em>*A equipe de reportagem viajou a convite do Festival Artes e Vertentes<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mestres da cultura popular defendem o ensino da hist\u00f3ria e cultura afro-brasileiras e africanas nas&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-29838","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jogos-ao-vivo"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29838","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29838"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29838\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29838"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29838"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29838"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}