{"id":30729,"date":"2025-10-01T12:35:23","date_gmt":"2025-10-01T15:35:23","guid":{"rendered":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/2025\/10\/01\/morte-de-ex-pantera-negra-reacende-debate-sobre-racismo-nos-eua\/"},"modified":"2025-10-01T12:35:23","modified_gmt":"2025-10-01T15:35:23","slug":"morte-de-ex-pantera-negra-reacende-debate-sobre-racismo-nos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/2025\/10\/01\/morte-de-ex-pantera-negra-reacende-debate-sobre-racismo-nos-eua\/","title":{"rendered":"Morte de ex-Pantera Negra reacende debate sobre racismo nos EUA"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div wp_automatic_readability=\"204.50309837335\">\n<p>A ativista negra Assata Shakur, ex-militante do movimento dos Panteras Negras, dos Estados Unidos, viveu por quatro d\u00e9cadas exilada em Cuba ap\u00f3s ser condenada \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua pelo homic\u00eddio de um policial em Nova Jersey, ocorrido em 1973. Na semana passada, sua morte foi anunciada aos 78 anos de idade, em Havana, pelo Minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores de Cuba, devido a problemas de sa\u00fade e idade avan\u00e7ada.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p><strong>A hist\u00f3ria de Joanne Deborah Chesimard, conhecida como Assata Shakur, se confunde com a hist\u00f3ria dos EUA.<\/strong> Ao longo da vida da ex-Pantera Negra, travou-se uma disputa pela sua mem\u00f3ria e legado. Para muitos, ela foi uma refer\u00eancia na luta antirracista nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, para o FBI, o servi\u00e7o de intelig\u00eancia norte-americano, ela foi uma perigosa \u201cterrorista\u201d, tendo sido a primeira mulher a ser inclu\u00edda, em 2013, na lista de terroristas mais perigosos do mundo, com uma recompensa de US$ 2 milh\u00f5es por informa\u00e7\u00f5es que levassem a sua captura.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p><strong>Cadastro reserva do CPNU1 ser\u00e1 chamado muito em breve, diz ministra<\/strong><\/p>\n<p><strong>Papa critica tratamento \u201cdesumano\u201d de imigrantes nos EUA<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s o an\u00fancio de sua morte, <strong>o Sindicato de Professores de Chicago homenageou a ativista negra em uma rede social.\u00a0<\/strong><\/p>\n<blockquote wp_automatic_readability=\"10\">\n<p>\u201cLutadora revolucion\u00e1ria, escritora feroz, uma reverenciada anci\u00e3 da liberta\u00e7\u00e3o negra e uma l\u00edder da liberdade cujo esp\u00edrito continua vivo em nossa luta. Assata se recusou a ser silenciada\u201d, afirmou o sindicato.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Lideran\u00e7as conservadoras do Conselho Municipal de Chicago, no entanto, criticaram o sindicato por homenagear a ex-Pantera Negra. <strong>O governador de Nova Jersey, Phil Murphy, anunciou que se op\u00f5e \u201cvigorosamente\u201d a qualquer repatria\u00e7\u00e3o dos restos mortais de Shankur.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cAo contr\u00e1rio do seu assassino, o soldado Foerster nunca teve a oportunidade de viver os seus dias em paz. Estamos empenhados em honrar a sua mem\u00f3ria e sacrif\u00edcio\u201d, disse o governador em uma rede social.<\/p>\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o deve ser direito e n\u00e3o heran\u00e7a de classe, diz especialista<\/strong><\/p>\n<p><strong>Projeto Meninas Negras na Ci\u00eancia, da Fiocruz, tem inscri\u00e7\u00f5es abertas<\/strong><\/p>\n<p>Por anos, a extradi\u00e7\u00e3o de Assata foi uma das exig\u00eancias dos Estados Unidos nas negocia\u00e7\u00f5es com o governo de Cuba para al\u00edvio do embargo que asfixia a economia da ilha h\u00e1 60 anos. <strong>Por\u00e9m, Havana nunca aceitou extraditar a militante negra.<\/strong><\/p>\n<p>Madrinha do famoso rapper estadunidense Tupac Shakur, assassinado em 1996, Assata tamb\u00e9m integrou o Ex\u00e9rcito da Liberta\u00e7\u00e3o Negra, grupo revolucion\u00e1rio que entrou na mira da repress\u00e3o do FBI nas d\u00e9cadas de 1960 e 1970.<\/p>\n<p><strong>\u201cNingu\u00e9m na hist\u00f3ria jamais conquistou sua liberdade apelando para o senso moral de seus opressores\u201d, \u00e9 uma das suas famosas frases.<\/strong><\/p>\n<p>Para a coordenadora da Articula\u00e7\u00e3o de Organiza\u00e7\u00f5es de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), Cleusa Silva, a hist\u00f3ria de vida de Shakur \u00e9 uma refer\u00eancia para militantes de todas as Am\u00e9ricas.<\/p>\n<blockquote wp_automatic_readability=\"13\">\n<p>\u201cEla lutava contra o racismo patriarcal e contra a sociedade de classe, interligando g\u00eanero, ra\u00e7a e classe. Foi uma mulher que revolucionou sua \u00e9poca, \u00e0 frente do seu tempo e que merece ser reconhecida nos EUA. N\u00e3o como uma terrorista, mas com uma pessoa que lutou dentro daquele pa\u00eds e pagou um pre\u00e7o muito alto por isso\u201d, afirmou \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Assassinato<\/h2>\n<p><strong>Em 2 de maio de 1973, Shakur e dois companheiros de milit\u00e2ncia, Zayd Shakur e Sundiata Acoli, foram alvos de uma abordagem policial que resultou na morte do agente do Estado Werner Foerster.<\/strong> Tamb\u00e9m perdeu a vida no epis\u00f3dio o colega de Assata, Zayd Shakur.<\/p>\n<p>Em 1977, ela foi considerada culpada pelo homic\u00eddio, apesar do fato de Acoli j\u00e1 ter sido identificado e condenado como o autor dos disparos. Al\u00e9m disso, provas m\u00e9dicas indicaram que Assata havia sido baleada no bra\u00e7o e no ombro, ferimentos que paralisaram seus movimentos e a impediriam de disparar uma arma.<\/p>\n<p><strong>Em 1979, ela conseguiu fugir da cadeia, onde disse ter sido torturada, com a ajuda de companheiros de milit\u00e2ncia, e viveu em esconderijos at\u00e9 se exilar em Cuba em 1984, onde viveu at\u00e9 a morte.<\/strong><\/p>\n<h2>Repress\u00e3o<\/h2>\n<p>Os defensores da ativista argumentam que a condena\u00e7\u00e3o foi injusta e teria sido motivada pelo contexto hist\u00f3rico de persegui\u00e7\u00e3o, pris\u00f5es e assassinatos de lideran\u00e7as do movimento negro dos Estados Unidos pelas for\u00e7as de repress\u00e3o do Estado.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p><strong>O advogado de Assata, Lennox S. Hinds, fundador da Confer\u00eancia Nacional de Advogados Negros, argumenta que o FBI montou um programa de contra intelig\u00eancia para vigil\u00e2ncia sistem\u00e1tica de ativistas pelos direitos civis, a exemplos de Martin Luther King e Malcolm X, ambos assassinados em atentados durante a d\u00e9cada de 1960.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cUma campanha de intelig\u00eancia cuidadosamente orquestrada foi conduzida pelo FBI em coopera\u00e7\u00e3o com ag\u00eancias policiais estaduais e locais, com o objetivo de criminalizar, difamar, assediar e intimidar Assata\u201d, afirma o advogado no pref\u00e1cio da autobiografia da ativista.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p><strong>Lennox S. Hinds lembrou das campanhas da m\u00eddia condenando Assata por uma s\u00e9rie de crimes que ela depois viria a ser absolvida, como assalto a bancos e assassinatos, at\u00e9 que foi condenada pelo homic\u00eddio de Foerster em Nova Jersey.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cFoi o racismo no Condado de Middlesex, alimentado pela publicidade tendenciosa e inflamat\u00f3ria da imprensa local antes e durante o julgamento, fomentado pela ilegalidade documentada do governo, que possibilitou ao j\u00fari branco condenar Assata com base no depoimento n\u00e3o corroborado, contradit\u00f3rio e, em geral, inacredit\u00e1vel do policial Harper, a \u00fanica outra testemunha dos eventos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p><strong>A escritora e ativista norte-americana Angela Davis ressalta que militantes negros eram considerados inimigos do Estado e Assata foi demonizada de forma \u201cinimagin\u00e1vel\u201d.<\/strong><\/p>\n<blockquote wp_automatic_readability=\"10\">\n<p>\u201cA reconstru\u00e7\u00e3o da imagem de Assata como inimiga \u00e9 [hoje] ainda mais prejudicial, omitindo o contexto pol\u00edtico original e representando-a como uma criminosa comum \u2013 uma assaltante de banco e assassina. Essa remo\u00e7\u00e3o de sua imagem do passado para prop\u00f3sitos muito contempor\u00e2neos serve para justificar a consolida\u00e7\u00e3o de um vasto complexo industrial prisional\u201d, escreveu Angela em pref\u00e1cio da autobiografia de Shakur.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>A coordenadora da AMNB, Cleusa Silva, lembra que conheceu Assata Shakur, em Cuba, em 1997, em um encontro internacional de mulheres trabalhadoras, em Havana.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEla contou do sofrimento para conseguir fugir dos Estados Unidos, contou sobre a persegui\u00e7\u00e3o at\u00e9 conseguir chegar a Cuba, onde ela contou que foi muito bem recebida. A grande dor dela foi n\u00e3o poder voltar para sua comunidade, estar perto dos seus\u201d, disse.<\/p>\n<h2>Luta pela mem\u00f3ria<\/h2>\n<p>A disputa pela mem\u00f3ria da luta antirracista nos Estados Unidos ganha import\u00e2ncia no contexto do segundo governo de Donald Trump.<strong> O atual presidente tem buscado censurar museus p\u00fablicos que, na vis\u00e3o dele, mostrem \u201co qu\u00e3o ruim era a escravid\u00e3o\u201d e nada sobre \u201co sucesso\u201d dos EUA.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A Casa Branca exigiu um \u201cajuste\u201d no conte\u00fado das exposi\u00e7\u00f5es para que elas estejam alinhadas com o \u201cenquadramento hist\u00f3rico\u201d e os \u201cideais americanos\u201d defendidos pelo governo atual.<\/strong><\/p>\n<p>Outra frente na disputa pela mem\u00f3ria nos EUA foi aberta nas For\u00e7as Armadas, com a decis\u00e3o de trocar o nome do Forte Liberdade (Fort Liberty) e resgatar o nome anterior, Forte Bragg (Fort Bragg), uma homenagem ao general confederado Braxton Bragg.<\/p>\n<p>Os confederados formaram a coaliz\u00e3o que lutou na guerra civil americana em defesa da escravid\u00e3o. Com o assassinato de George Floyd, em 2020, o governo de Joe Biden decidiu alterar o nome de nove bases militares que homenageavam confederados, considerados racistas pelo movimento negro dos EUA. Agora, um confederado volta a dar nome \u00e0 maior base militar do pa\u00eds.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ativista negra Assata Shakur, ex-militante do movimento dos Panteras Negras, dos Estados Unidos, viveu&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-30729","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jogos-ao-vivo"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30729","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30729"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30729\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30729"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30729"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30729"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}