{"id":36491,"date":"2026-01-18T10:42:48","date_gmt":"2026-01-18T13:42:48","guid":{"rendered":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/2026\/01\/18\/enredos-das-escolas-de-samba-contam-a-historia-nao-oficial\/"},"modified":"2026-01-18T10:42:48","modified_gmt":"2026-01-18T13:42:48","slug":"enredos-das-escolas-de-samba-contam-a-historia-nao-oficial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/2026\/01\/18\/enredos-das-escolas-de-samba-contam-a-historia-nao-oficial\/","title":{"rendered":"Enredos das escolas de samba contam a hist\u00f3ria n\u00e3o oficial"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div wp_automatic_readability=\"219.99515920826\">\n<p>Descreve a etimologia dispon\u00edvel na internet que no DNA lingu\u00edstico do substantivo \u201cenredo\u201d est\u00e1 no verbo \u201cenredar\u201d. As duas palavras t\u00eam ascend\u00eancia latina, derivam de \u2018rete\u2019 (rede). Como os linguistas, pescadores e peixes sabem, o enredo resulta de uma trama de fios que envolvem e capturam.<\/p>\n<p>Na arte, a trama tem que prender seus espectadores, como explicam o professor de hist\u00f3ria Luiz Antonio Simas e o jornalista F\u00e1bio Fabato na segunda edi\u00e7\u00e3o \u2500 revista e ampliada \u2500 do livro <em>Pra tudo come\u00e7ar na quinta-feira: o enredo dos enredos<\/em>\u00a0(M\u00f3rula Editorial).<\/p>\n<p>Nesta nova vers\u00e3o, o texto acrescenta a revolu\u00e7\u00e3o dos enredos das escolas de samba do Rio de Janeiro a partir da segunda d\u00e9cada deste s\u00e9culo.<\/p>\n<p><strong>Entenda como san\u00e7\u00e3o dos EUA fragilizam economias como Ir\u00e3 e Venezuela<\/strong><\/p>\n<p><strong>Na Venezuela, san\u00e7\u00f5es dos EUA contribu\u00edram para colapso econ\u00f4mico<\/strong><\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o trata da genu\u00edna forma que os sambistas cariocas criaram h\u00e1 quase 100 anos para contar e refazer a hist\u00f3ria. Novos enredos que, depois de envolver 120 mil pessoas no Samb\u00f3dromo e milh\u00f5es pela televis\u00e3o e nas novas m\u00eddias, v\u00e3o passar nas salas de aula e nos livros did\u00e1ticos.<\/p>\n<h2>Confira os principais trechos da entrevista os dois autores<\/h2>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:\u00a0<\/strong>Em breve, em 2028, vamos fazer 100 anos de escola de samba. De onde partiu a exig\u00eancia de haver enredo nos desfiles?<\/p>\n<p><strong>Luiz Antonio Simas:<\/strong> Desfiles de escolas de samba, na verdade, vamos ter a partir de 1932. Curiosamente, n\u00f3s tivemos concursos [das escolas de samba] antes disso. O [jornalista, escritor e pai de santo] Jos\u00e9 Espinguela [1890-1944] foi quem organizou, mas n\u00e3o eram concursos com desfiles em cortejo. Eram disputas entre escolas de samba que, entretanto, se limitavam \u00e0s apresenta\u00e7\u00f5es e a escolha do melhor samba.<\/p>\n<p>A partir de 1932, h\u00e1 a ideia do cortejo. Consideramos um marco dos primeiros desfiles. Isso \u00e9 curioso pelo seguinte: as escolas de samba n\u00e3o inventaram a ideia do enredo. Os enredos faziam parte dos cortejos de grandes sociedades e ranchos carnavalescos \u2013 sobretudo, dos ranchos de carnaval. O Ameno Resed\u00e1 [fundado em 1907], que era considerado um rancho, desfilava com enredos de relev\u00e2ncia cultural etc.<\/p>\n<p>O que as escolas de samba fizeram foi redimensionar essa perspectiva dos enredos. E, mais do que isso, o que as escolas de samba fizeram de muito diferente em rela\u00e7\u00e3o aos ranchos, foi, aos poucos, consolidar uma trilha sonora completamente distinta. Os ranchos desfilavam com as chamadas marchas rancho. E as escolas de samba foram construindo, aos poucos, o que a gente vai denominar como samba-enredo.<\/p>\n<p><strong>F\u00e1bio Fabato: <\/strong>A gente pode dizer que \u00e9 o primeiro samba em enredo que n\u00f3s temos \u00e9 quando a Portela resolve fazer um carnaval com um tema especificamente. At\u00e9 ent\u00e3o, essa coisa de um tema fort\u00edssimo, \u00fanico, n\u00e3o existia. Em 1939, a Portela faz isso. O Paulo da Portela [1901-1947] cria um desfile que \u00e9 um simulacro da pr\u00f3pria escola de samba,\u00a0mostrando que \u00e9 uma escola. Temos um samba e temos um enredo [Teste ao Samba], com uma premissa de enredo.<\/p>\n<p><strong>Luiz Antonio Simas:<\/strong> Antes de 1939, os enredos n\u00e3o precisavam ter rela\u00e7\u00e3o direta com o samba. Ent\u00e3o, voc\u00ea podia apresentar um enredo visualmente sobre um tema e cantar samba sobre temas completamente distintos. Em 1939, a Portela prop\u00f5e essa coes\u00e3o entre enredo e samba.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>: Posso dizer que o enredo \u00e9 o esqueleto e o samba-enredo \u00e9 o m\u00fasculo do desfile?<\/p>\n<p><strong>F\u00e1bio Fabato:<\/strong> Pode. Obviamente, a espinha dorsal de uma escola de samba vai ser sempre o ritmo, a bateria, o samba e tal.<\/p>\n<blockquote wp_automatic_readability=\"12\">\n<p>Agora, tudo come\u00e7a no enredo, n\u00e9? Primeiro lan\u00e7a-se o enredo e a\u00ed vem o samba-enredo, depois o desenho r\u00edtmico da bateria em cima desse samba-enredo. A origem, o come\u00e7o de um grande carnaval, est\u00e1 em num grande enredo.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Luiz Antonio Simas:<\/strong> O samba-enredo \u00e9 um g\u00eanero completamente inusitado na hist\u00f3ria da m\u00fasica popular brasileira, porque primeiro ele \u00e9 um g\u00eanero feito sob encomenda. Ent\u00e3o, voc\u00ea elabora um samba vinculado a um enredo que foi proposto. Nesse sentido, tamb\u00e9m, o samba enredo acaba sendo o \u00fanico g\u00eanero de m\u00fasica urbana que n\u00f3s temos, que, em vez de ser l\u00edrico, \u00e9 \u00e9pico. Ele se coloca a servi\u00e7o de contar alguma hist\u00f3ria exemplar que um enredo prop\u00f5e.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>:\u00a0Como \u00e9 que se d\u00e1 a escolha do enredo? Quem decide isso? \u00c9 uma escolha do presidente da escola de samba?<\/p>\n<p><strong>F\u00e1bio Fabato:<\/strong>\u00a0Muitas vezes, \u00e9. Sobretudo, se o presidente tem uma promessa de patroc\u00ednio\u2026 Mas isso varia muito, sabe? Quando voc\u00ea tem um carnavalesco que tem uma for\u00e7a muito grande na engrenagem das escolas, tipo, o Leandro Vieira,\u00a0o carnavalesco da Mangueira que revolucionou o desfile em 2019, e que agora est\u00e1 na Imperatriz Leopoldinense. Ele tem a marra\u00a0de conseguir colocar o tema dele. A marra boa, no caso. E, al\u00e9m de tudo, ele \u00e9 o enredista dele mesmo. Ou seja, ele escreve o tema, bola as fantasias, e convence o presidente que a ideia dele \u00e9 boa.<\/p>\n<p>H\u00e1 outros carnavalescos que n\u00e3o t\u00eam essa for\u00e7a toda. O que acontece normalmente na escola de samba \u00e9 ter alguma dificuldade financeira depois do carnaval. Como ela n\u00e3o tem aquele capital circulante, ela n\u00e3o tem capital de giro, ela precisa se capitalizar.\u00a0Ent\u00e3o, elas se comprometem. \u2018Olha, eu vou te dar aqui um patroc\u00ednio de R$ 2 milh\u00f5es em maio para voc\u00ea falar do iogurte\u2019. E as escolas de samba acabam fazendo um enredo sobre o iogurte\u2026<\/p>\n<p>Normalmente, o enredo \u00e9 decidido na altura de abril e maio por um, digamos, conselh\u00e3o formado pelo carnavalesco, o presidente, e agora com uma figura nova que \u00e9 o enredista, um pesquisador que acompanha alguns carnavalescos.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-left\">\n<h6 class=\"meta\">Capa do livro Pra tudo come\u00e7ar na quinta-feira \u2013 o enredo dos enredos, dos escritores Luiz Ant\u00f4nio Simas e F\u00e1bio Fabato. Foto: M\u00f3rula Editorial\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/h6>\n<\/div>\n<p><strong>Luiz Antonio Simas:<\/strong>\u00a0No passado, o carnavalesco propunha o enredo. O que a gente entende como sinopse era algo muito mais simples, diga-se de passagem. E muitas vezes o samba que a escola escolhia acabava repercutindo em transforma\u00e7\u00f5es que a sinopse ganhava e o pr\u00f3prio espet\u00e1culo visual passava a ter.<\/p>\n<p>Como esse processo\u00a0foi se transformando, essa din\u00e2mica ficou mais complexa e passou\u00a0a contar com outros personagens. Por exemplo, a figura do pesquisador, a figura do sujeito que escreve a sinopse. Mas h\u00e1 carnavalescos que continuam sem abrir m\u00e3o da iniciativa de escrever a sinopse. E tem outra coisa: j\u00e1 aconteceu muito de escolas de samba mudarem de enredo aos 43 minutos do segundo tempo. N\u00e3o existe um model\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0Qu\u00e3o decisivos s\u00e3o os enredos? Enredo ganha carnaval? Enredo perde carnaval?<\/p>\n<p><strong>F\u00e1bio Fabato:<\/strong> Sim, mas o jogo \u00e9 jogado na avenida. O enredo pode jogar fora um desfile, como tamb\u00e9m um grande enredo deixa a comunidade feliz. Voc\u00ea percebe de cara que a comunidade se encanta com aquilo, que vai abra\u00e7ar o enredo. Uma escolha certeira ajuda muito no processo.<\/p>\n<p><strong>Luiz Antonio Simas:<\/strong>\u00a0O enredo \u00e9 um quesito que tem transversalidade. Ele contamina todos os outros.<\/p>\n<p>Um bom enredo abre possibilidades para ter um trabalho pl\u00e1stico, por exemplo, de melhor qualidade. Pode condicionar a cria\u00e7\u00e3o de um samba mais consistente. \u00c9 muito mais f\u00e1cil compor o samba quando h\u00e1 um enredo bom.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea faz um samba mais consistente isso favorece a sua harmonia\u2026 Ter um bom enredo \u00e9 meio caminho andado.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0Aprendemos hist\u00f3ria com os enredos? Que hist\u00f3ria se aprende nos enredos?<\/p>\n<p><strong>Luiz Antonio Simas:<\/strong>\u00a0Aprendemos, \u00e9 evidente que aprendemos.<\/p>\n<blockquote wp_automatic_readability=\"11\">\n<p>Aprendemos hist\u00f3rias que uma certa grande hist\u00f3ria oficial n\u00e3o contava, n\u00e3o contou e hoje come\u00e7a a contar, n\u00e9? As escolas de samba t\u00eam um papel pedag\u00f3gico, de pedagogia das massas. Ent\u00e3o, a escola de samba acabou cumprindo um papel que muitas vezes a escola institucional n\u00e3o cumpria.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Quando voc\u00ea pensa que o Salgueiro trouxe Quilombo dos Palmares, em 1960, e Zumbi dos Palmares n\u00e3o era um personagem falado em sala de aula. O pr\u00f3prio Salgueiro trouxe Xica da Silva [em 1963]. Ela n\u00e3o era uma personagem falada em sala de aula. A Viradouro trouxe \u2018Teresa de Benguela, uma Rainha Negra no Pantanal\u2019, ela n\u00e3o era uma personagem falada em sala de aula. O enredo que o Leandro Vieira prop\u00f4s para Mangueira no Carnaval de 2019, [Hist\u00f3ria para ninar gente grande] responde essa quest\u00e3o. As escolas de samba muitas vezes operaram na dimens\u00e3o da contranarrativa oficial.<\/p>\n<p><strong>F\u00e1bio Fabato:<\/strong> O grande lustre da hist\u00f3ria tem alguns dos seus penduricalhos apagados. A escola de samba consegue iluminar esses penduricalhos. E a escola de samba ensina a partir de uma l\u00f3gica de afeto, com o congra\u00e7ar das artes.<\/p>\n<p>Em um desfile de escola de samba, tem percuss\u00e3o, canto, dan\u00e7a, pintura, escultura. Tem a cria\u00e7\u00e3o e o trabalho do vidraceiro, do costureiro, do carpinteiro. H\u00e1 formas infinitas de arte para contar aquela hist\u00f3ria. O enredo \u00e9 uma linguagem muito brasileira e muito bem feita. Uma forma que o Brasil inventou para celebrar os seus e celebrar suas hist\u00f3rias.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Descreve a etimologia dispon\u00edvel na internet que no DNA lingu\u00edstico do substantivo \u201cenredo\u201d est\u00e1 no&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-36491","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jogos-ao-vivo"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36491","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36491"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36491\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36491"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36491"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36491"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}