{"id":40579,"date":"2026-03-29T11:33:59","date_gmt":"2026-03-29T14:33:59","guid":{"rendered":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/2026\/03\/29\/horta-comunitaria-reune-memoria-cuidado-e-cidadania-em-favela-do-rio\/"},"modified":"2026-03-29T11:33:59","modified_gmt":"2026-03-29T14:33:59","slug":"horta-comunitaria-reune-memoria-cuidado-e-cidadania-em-favela-do-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/2026\/03\/29\/horta-comunitaria-reune-memoria-cuidado-e-cidadania-em-favela-do-rio\/","title":{"rendered":"Horta comunit\u00e1ria re\u00fane mem\u00f3ria, cuidado e cidadania em favela do Rio"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div wp_automatic_readability=\"166.46027349836\">\n<p>Faz um ano que a rotina de Vera L\u00facia Silva de Souza, de 74 anos, come\u00e7a cedo.\u00a0Ela molha as plantas de casa e encara a p\u00e9 a descida \u00edngreme desde o alto do Morro do Salgueiro, na zona norte do Rio de Janeiro. Na parte baixa da comunidade,\u00a0fica a horta comunit\u00e1ria onde trabalha para complementar a renda.<\/p>\n<p>Vera \u00e9 integrante do Coletivo de Erveiras e Erveiros do Salgueiro. Desde 2019, o grupo se re\u00fane para catalogar esp\u00e9cies e saberes e manter vivas plantas que s\u00e3o conhecidas dos moradores, mas n\u00e3o de todo mundo no asfalto.<\/p>\n<p>A \u00e1rea de plantio \u00e9 uma das 84 hortas mantidas pelas comunidades com o apoio da Prefeitura do Rio, por meio do programa Hortas Cariocas, criado h\u00e1 cerca de 20 anos. <strong>Em 2025, de acordo com a Secretaria de Ambiente Clima, a produ\u00e7\u00e3o dessas hortas foi de 74 toneladas. No Salgueiro, a colheita foi de 700 kg.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Inc\u00eandio de grandes propor\u00e7\u00f5es atinge f\u00e1brica no Br\u00e1s, em S\u00e3o Paulo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ultima Parcial Enquete Pared\u00e3o formado no BBB 26 revela quem sai Alberto, Jordana ou Boneco<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\">Horta comunit\u00e1ria do programa Hortas Cariocas, no Salgueiro. Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/h6>\n<\/div>\n<h2>Mem\u00f3ria\u00a0<\/h2>\n<p>Vera L\u00facia explica que acorda cedo porque \u00e9 melhor mexer na terra pela manh\u00e3, quando a temperatura est\u00e1 mais amena e a \u00e1gua n\u00e3o queima as plantas.<\/p>\n<p><strong>Festa em Recife celebra 30 mil alfabetizados em programa social<\/strong><\/p>\n<p><strong>Milena se d\u00e1 mal ap\u00f3s atitude grave no BBB26 e deixa confession\u00e1rio abalada<\/strong><\/p>\n<p>\u201cMolhamos primeiro e\u00a0limpamos para replantar. Por causa do ver\u00e3o, muita coisa fracassou.\u00a0Aqui pega muito Sol\u201d, conta.<\/p>\n<p>Faz um tempo que Vera decidiu buscar nas mem\u00f3rias de inf\u00e2ncia incentivo para colocar as m\u00e3os na terra outra vez.<strong> As lembran\u00e7as s\u00e3o da \u00e9poca em que os rem\u00e9dios eram feitos em casa, pela m\u00e3e e pela\u00a0av\u00f3, com quem ela conheceu ervas e aprendeu receitas passadas de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEu nasci l\u00e1 no alto do morro\u201d, conta Vera, apontando em dire\u00e7\u00e3o a uma \u00e1rea que fica ainda mais alto do que sua casa, mas onde\u00a0n\u00e3o existem mais moradias. \u201cEu vim para c\u00e1\u00a0[onde mora] com 14 anos. Aqui, minha m\u00e3e e minha av\u00f3 me ensinaram a plantar, a fazer um ch\u00e1, um xarope, um tempero. Eu me lembro bem\u201d, afirma.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\">Vera L\u00facia Silva de Souza, conhecida como tia Vera, em sua casa no alto do Morro do Salgueiro. Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<!--END copyright=457638--><\/h6>\n<\/div>\n<p>Localizada nas franjas do Parque Nacional da Tijuca, <strong>a casa de Vera \u00e9 rodeada de \u00e1rvores, uma realidade at\u00edpica entre as favelas cariocas<\/strong>, que costumam marcar temperaturas mais quentes que a m\u00e9dia da cidade.<\/p>\n<p>Com um quintal fresco, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 na horta comunit\u00e1ria que ela cultiva mem\u00f3rias.\u00a0\u201cEst\u00e1 sentindo esse cheiro? S\u00e3o as minhas plantas. Tem sai\u00e3o, alfavaca, assa-peixe, ora-pro-n\u00f3bis, do grande, que d\u00e1 uma flor rosa, bem bonita\u201d, apresenta a erveira.<\/p>\n<p>Os canteiros transformaram a\u00a0casa de Vera em uma\u00a0refer\u00eancia no morro. \u201cTem muita muda aqui. Umas, a gente planta no mato, outras, quando me pedem, eu doo um mucadinho [pouquinho]\u201d, revela. \u201cMeu boldo, por exemplo, j\u00e1 est\u00e1 quase acabando. As casas aqui s\u00e3o apertadinhas, nem todo mundo em espa\u00e7o\u201d.<\/p>\n<h2>Diversidade de op\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p>Em um v\u00eddeo\u00a0sobre a horta comunit\u00e1ria, Marcelo Rocha, que \u00e9 integrante do mesmo coletivo, compara a pequena quantidade de op\u00e7\u00f5es nas prateleiras com a diversidade que as popula\u00e7\u00f5es consumiam quando cultivavam em seus quintais:<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 comum ir ao supermercado e encontrar apenas alface, cheiro verde e r\u00facula. Mas temos uma infinidade de plantas comest\u00edveis conhecidas da minha av\u00f3, da minha bisav\u00f3, como ora-pro-n\u00f3bis, caruru, alemir\u00e3o, taioba serralha\u201d, citou.<\/p>\n<p>Sem placa ou aviso na entrada, a horta do Salgueiro s\u00f3 \u00e9 conhecida pelos moradores. Ali, as ervas s\u00e3o cultivadas, assim como outros alimentos, que depois tamb\u00e9m s\u00e3o\u00a0doados para a Escola Municipal Bombeiro Geraldo Dias.<\/p>\n<p><strong>Membro do coletivo, Walace Gon\u00e7alves de Oliveira, de 66 anos, conhecido por Tio Dad\u00e1, acrescenta que at\u00e9 mesmo profissionais de sa\u00fade indicam as ervas e alimentos da horta comunit\u00e1ria a seus pacientes.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\u201cTem gente que precisa especificamente de uma verdura ou legume. A\u00ed, o pessoal do postinho manda vir buscar aqui conosco\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\">Tio Dad\u00e1 e Tia Vera, cuidadores da horta comunit\u00e1ria do programa Hortas Cariocas, no Salgueiro.\u00a0Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<!--END copyright=457629--><\/h6>\n<\/div>\n<h2>Da remo\u00e7\u00e3o ao plantio<\/h2>\n<p><strong>O espa\u00e7o usado pelo coletivo para a horta surgiu ap\u00f3s uma desapropria\u00e7\u00e3o. Estabelecida em encostas \u00edngremes, uma vila inteira de casas foi removida por causa do risco de deslizamento.<\/strong><\/p>\n<p>De chap\u00e9u e enxada em punho, Tio Dad\u00e1 lembra que a comunidade transformou a \u00e1rea, cheia de lixo, em uma horta produtiva:<\/p>\n<p>\u201cA gente tem aqui berinjela, alface, chic\u00f3ria, cenoura. Temos bastante coisa. Tem tamb\u00e9m lim\u00e3o e tem uma laranja que quase ningu\u00e9m conhece, vermelha por dentro, a laranja sangu\u00ednea, muito boa\u201d, conta ele, que tem suas prefer\u00eancias:\u00a0\u201cOra-pro-n\u00f3bis \u00e9 muito bom no franguinho, na carne assada.\u00a0Eu n\u00e3o uso no ch\u00e1, n\u00e3o gosto\u201d, destaca.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\">P\u00e9 de lim\u00e3o no Morro do Salgueiro, na zona norte do Rio de Janeiro Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<!--END copyright=457637--><\/h6>\n<\/div>\n<h2>Alimento e cidadania<\/h2>\n<p>Segundo a prefeitura, as hortas urbanas t\u00eam reduzido \u00edndices de ocupa\u00e7\u00e3o irregular de terrenos ociosos e elevado os n\u00edveis de inclus\u00e3o social, al\u00e9m de propiciar aos moradores da comunidade alimenta\u00e7\u00e3o livre de transg\u00eanicos e agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>A secret\u00e1ria da pasta de Ambiente e Clima da cidade do Rio de Janeiro, Tain\u00e1 de Paula, afirma que o\u00a0suporte t\u00e9cnico da secretaria \u00e9 cont\u00ednuo. \u201cTemos uma entrega ininterrupta de sementes, que ficam sempre dispon\u00edveis para retirada\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\" wp_automatic_readability=\"7\">\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\" wp_automatic_readability=\"9\">\n<p>Borboleta e insetos em \u00e1rvore da horta comunit\u00e1ria do programa Hortas Cariocas, no Salgueiro.\u00a0Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<!--END copyright=457633--><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Faz um ano que a rotina de Vera L\u00facia Silva de Souza, de 74 anos,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-40579","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jogos-ao-vivo"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40579","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40579"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40579\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40579"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40579"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40579"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}