{"id":42596,"date":"2026-05-03T11:25:33","date_gmt":"2026-05-03T14:25:33","guid":{"rendered":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/2026\/05\/03\/geografo-negro-teorizou-sobre-desigualdades\/"},"modified":"2026-05-03T11:25:33","modified_gmt":"2026-05-03T14:25:33","slug":"geografo-negro-teorizou-sobre-desigualdades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/2026\/05\/03\/geografo-negro-teorizou-sobre-desigualdades\/","title":{"rendered":"ge\u00f3grafo negro teorizou sobre desigualdades"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div wp_automatic_readability=\"197.12927933155\">\n<p>Em meio \u00e0s grandes redes de supermercados em S\u00e3o Lu\u00eds, no Maranh\u00e3o, surgem mercadinhos e feiras populares adaptados \u00e0 realidade de quem tem poucos recursos. O contraste entre os tipos de estabelecimentos e os modos de consumo revelam din\u00e2micas de exclus\u00e3o e de desigualdade na cidade.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio foi objeto de estudo de Livia Cangiano, p\u00f3s-doutoranda na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), e professora colaboradora na Universidade Estadual do Maranh\u00e3o (UEMA). Ela recorreu a uma teoria formulada na d\u00e9cada de 1970 por Milton Santos.<\/p>\n<p><strong>Neste dia 3 de maio, s\u00e3o comemorados os 100 anos de nascimento do ge\u00f3grafo. Ele faleceu em 2001, aos 75 anos, mas suas ideias continuam sendo refer\u00eancias para an\u00e1lises socioecon\u00f4micas no Brasil e no mundo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Final bomb\u00e1stico de Tr\u00eas Gra\u00e7as; quem morre, quem vai preso e os desfechos que chocaram o p\u00fablico<\/strong><\/p>\n<p><strong>Revolut \u201clibera geral\u201d cr\u00e9dito de at\u00e9 R$ 10 mil no Brasil \u2014 entenda como funciona<\/strong><\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-right\">\n<h6 class=\"meta\">Livia Cangiano, p\u00f3s-doutoranda na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), e professora colaboradora na Universidade Estadual do Maranh\u00e3o. Foto: Arquivo pessoal<!--END copyright=461345--><\/h6>\n<\/div>\n<p>A teoria de Milton divide a economia urbana em dois circuitos: superior, concentrado nas grandes empresas, com alto n\u00edvel de tecnologia, capital e organiza\u00e7\u00e3o; e inferior, formado por pequenos com\u00e9rcios e servi\u00e7os, com menor acesso a recursos, mas altamente adapt\u00e1vel \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote wp_automatic_readability=\"10.053619302949\">\n<p>\u201c\u00c9 muito dif\u00edcil para as pessoas da periferia deixarem o espa\u00e7o onde vivem e se deslocarem at\u00e9 o centro para consumir. As popula\u00e7\u00f5es que vivem na periferia abrem seus pr\u00f3prios com\u00e9rcios, quitandas, mercadinhos, pequenas lojas\u201d, diz Livia.<\/p>\n<p><strong>R\u00e1dio MEC transmite concerto da Orquestra Sinf\u00f4nica de SP no domingo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cinco presos fogem de Alca\u00e7uz no Rio Grande do Norte<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u201cPara dar um exemplo, nesse circuito inferior, pensando em alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e9 o lugar onde a pessoa que n\u00e3o consegue comprar a d\u00fazia do ovo, consegue comprar um ovo apenas. Eles vendem separadamente. As formas de com\u00e9rcio s\u00e3o menos endurecidas do que em uma grande rede supermercadista, onde s\u00f3 seria poss\u00edvel comprar a d\u00fazia\u201d, exemplifica.<\/p>\n<p><strong>A atualidade da teoria tamb\u00e9m aparece em pesquisas fora do Brasil. O projeto de pesquisa do qual L\u00edvia faz parte aplica as ideias de Milton \u00e0s din\u00e2micas urbanas em Gana, na \u00c1frica, e em Londres e Paris, na Europa.<\/strong><\/p>\n<h2>Biografia<\/h2>\n<p>Milton Santos nasceu em 3 de maio de 1926, em Brotas de Maca\u00fabas, na Bahia, e se tornou um dos principais nomes da geografia mundial. Ele concluiu o bacharelado na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e o doutorado na Universidade de Strasbourg, na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Exilado durante a ditadura militar, lecionou em universidades na Europa, \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina, antes de retornar ao Brasil, onde consolidou sua produ\u00e7\u00e3o intelectual. Foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p><strong>Negro, enfrentou o racismo estrutural dentro da academia e construiu uma obra que redefiniu a forma de compreender o espa\u00e7o geogr\u00e1fico, articulando economia, pol\u00edtica e sociedade.<\/strong> Ele se tornou inspira\u00e7\u00e3o e refer\u00eancia para outros intelectuais negros, como a tamb\u00e9m ge\u00f3grafa Catia Antonia da Silva, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).<\/p>\n<blockquote wp_automatic_readability=\"13\">\n<p>\u201cEu sou uma mulher negra de 60 anos. Entrei na UFRJ na d\u00e9cada de 80, onde a maior parte dos meus colegas na universidade n\u00e3o eram negros. Ent\u00e3o, o Milton foi muito importante para a minha forma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 do ponto de vista cognitivo e t\u00e9cnico, mas tamb\u00e9m na dimens\u00e3o humana\u201d, diz Catia.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\" wp_automatic_readability=\"8.5\">\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\" wp_automatic_readability=\"12\">\n<p><!--copyright=461344-->Rio de Janeiro (RJ), 01\/05\/2026 \u2013 Catia Antonia da Silva, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Milton Santos, 100 anos: ge\u00f3grafo negro teorizou sobre desigualdades Foto: Catia Antonia da Silva\/Arquivo pessoal \u2013 <strong>Catia Antonia da Silva\/Arquivo pessoal<\/strong><!--END copyright=461344--><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A professora explica que a obra de Milton n\u00e3o trouxe como tema central a negritude, nem a dimens\u00e3o pol\u00edtica da rela\u00e7\u00e3o entre classe social e ra\u00e7a. Por\u00e9m, ele produziu uma teoria social cr\u00edtica das desigualdades que ajuda a analisar as quest\u00f5es raciais. E nunca ignorou o tema quando era necess\u00e1rio se posicionar na vida p\u00fablica.<\/p>\n<blockquote wp_automatic_readability=\"7\">\n<p>\u201cEle dizia que o fato de ser um professor universit\u00e1rio n\u00e3o o impediu de viver experi\u00eancias de racismo. Falava que os negros precisavam ter um esfor\u00e7o muito maior para o seu trabalho ter legitimidade. Mas ele nunca utilizou qualquer vitimiza\u00e7\u00e3o para se tornar um intelectual.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Teorias das desigualdades<\/h2>\n<p>Al\u00e9m da teoria dos circuitos urbanos, o ge\u00f3grafo trouxe ideias que aprofundaram a compreens\u00e3o sobre as desigualdades. Para Milton Santos, o espa\u00e7o nunca foi apenas o cen\u00e1rio onde a vida acontece, mas o resultado direto de decis\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>Isso significa que a distribui\u00e7\u00e3o desigual de infraestrutura nas cidades (como saneamento, transporte ou acesso \u00e0 internet) n\u00e3o \u00e9 acidental, mas fruto de escolhas que privilegiam determinados grupos e territ\u00f3rios.<\/p>\n<p><strong>Ao olhar para uma periferia sem servi\u00e7os b\u00e1sicos ou para uma \u00e1rea valorizada com alta concentra\u00e7\u00e3o de investimentos, o ge\u00f3grafo prop\u00f5e enxergar ali n\u00e3o um acaso, mas a materializa\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es de poder.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cMilton traz essa compreens\u00e3o de uma geografia historicamente produzida pelos grandes aparatos do Estado. \u00c0 medida que o capitalismo avan\u00e7a, processos de industrializa\u00e7\u00e3o e urbaniza\u00e7\u00e3o no Brasil v\u00e3o produzir desigualdades e destrui\u00e7\u00e3o das economias locais. Seja do Nordeste, da Amaz\u00f4nia ou do interior dos estados. Determinados grupos sociais ser\u00e3o beneficiados pelo processo de moderniza\u00e7\u00e3o\u201d, explica a ge\u00f3grafa Catia.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\" wp_automatic_readability=\"7.5\">\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\" wp_automatic_readability=\"10\">\n<p><!--copyright=461346-->Rio de Janeiro (RJ), 01\/05\/2026 \u2013 Milton Santos, 100 anos: ge\u00f3grafo negro teorizou sobre desigualdades Foto: Acervo Milton Santos\/Divulga\u00e7\u00e3o \u2013 <strong>Acervo Milton Santos\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><!--END copyright=461346--><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>No livro <em>Por uma outra globaliza\u00e7\u00e3o<\/em>, Milton Santos descreve um sistema vendido como promessa de integra\u00e7\u00e3o e progresso, mas que, na pr\u00e1tica, aprofunda desigualdades mundiais.<\/strong> Grandes obras de infraestrutura, como portos e corredores log\u00edsticos, conectam pa\u00edses e mercados, mas tamb\u00e9m reorganizam territ\u00f3rios locais, pressionam comunidades e ampliam a concentra\u00e7\u00e3o de riqueza.<\/p>\n<p>Outro conceito bem conhecido do autor, o \u201cmeio t\u00e9cnico-cient\u00edfico-informacional\u201d, descreve como tecnologia, ci\u00eancia e infraestrutura passaram a moldar o territ\u00f3rio. Na pr\u00e1tica, isso se traduz em regi\u00f5es altamente conectadas, com redes digitais avan\u00e7adas e log\u00edstica eficiente, convivendo com \u00e1reas onde faltam servi\u00e7os b\u00e1sicos. Enquanto alguns espa\u00e7os s\u00e3o preparados para atender \u00e0s exig\u00eancias do mercado global, outros permanecem \u00e0 margem desse processo.<\/p>\n<h2>Futuros poss\u00edveis<\/h2>\n<p>Apesar dos diagn\u00f3sticos cr\u00edticos, Milton Santos tamb\u00e9m apontou caminhos de transforma\u00e7\u00e3o. Ele defendia que as mesmas redes e tecnologias que ampliam desigualdades podem ser apropriadas por popula\u00e7\u00f5es locais para criar alternativas econ\u00f4micas e sociais.<\/p>\n<p><strong>Iniciativas comunit\u00e1rias, uso de tecnologia em periferias e formas cooperativas de organiza\u00e7\u00e3o mostram, segundo o autor, que o territ\u00f3rio tamb\u00e9m pode ser espa\u00e7o de resist\u00eancia e reinven\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<blockquote wp_automatic_readability=\"14\">\n<p>\u201cEle prop\u00f5e uma leitura sobre o territ\u00f3rio brasileiro, trazendo ferramentas para que a gente pense concretamente nas desigualdades, que n\u00e3o fique apenas no plano te\u00f3rico, mas que nos induza a ir a campo, a conversar com essas pessoas, a entender o cotidiano delas no espa\u00e7o\u201d, diz a ge\u00f3grafa Livia.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, ele faz uma proposta muito generosa para pensar o espa\u00e7o, que \u00e9 pensar o quanto a periferia urbana brasileira como um todo \u00e9 capaz de produzir outras racionalidades de exist\u00eancia\u201d, completa.<\/p>\n<h2>Eventos<\/h2>\n<p><strong>O centen\u00e1rio de nascimento de Milton Santos ser\u00e1 celebrado com um conjunto de eventos pelo pa\u00eds<\/strong>. As programa\u00e7\u00f5es ocorrem em formato h\u00edbrido e re\u00fanem pesquisadores, ativistas e o p\u00fablico geral para debater o seu legado e a atualidade de sua obra.<\/p>\n<p>O Semin\u00e1rio Internacional <em>Milton Santos 100 anos: um ge\u00f3grafo do S\u00e9culo 21<\/em>\u00a0acontece de 4 a 8 de maio na USP, com transmiss\u00e3o virtual. O encontro \u00e9 feito em parceria com o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB).<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, o N\u00facleo de Estudos Afro-brasileiros e Ind\u00edgenas (Neabi) do Sesc vai oferecer, ao longo do m\u00eas de maio, um ciclo de palestras sobre ge\u00f3grafo.<\/p>\n<p>A Universidade Federal do Tocantins realizar\u00e1, entre os dias 26 e 29 de agosto, o evento <em>Tocantins como Fronteira do Meio T\u00e9cnico-Cient\u00edfico-Informacional<\/em>, para debater, em \u00e2mbito internacional, o pensamento e a obra de Milton Santos.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio \u00e0s grandes redes de supermercados em S\u00e3o Lu\u00eds, no Maranh\u00e3o, surgem mercadinhos e&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-42596","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jogos-ao-vivo"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42596","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42596"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42596\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42596"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42596"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42596"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}