{"id":45050,"date":"2026-06-13T17:42:10","date_gmt":"2026-06-13T20:42:10","guid":{"rendered":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/2026\/06\/13\/urbanismo-deve-incorporar-florestas-as-cidades-defendem-pesquisadores\/"},"modified":"2026-06-13T17:42:10","modified_gmt":"2026-06-13T20:42:10","slug":"urbanismo-deve-incorporar-florestas-as-cidades-defendem-pesquisadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/2026\/06\/13\/urbanismo-deve-incorporar-florestas-as-cidades-defendem-pesquisadores\/","title":{"rendered":"Urbanismo deve incorporar florestas \u00e0s cidades, defendem pesquisadores"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>As grandes cidades n\u00e3o podem mais dar as costas para as florestas e devem incorpor\u00e1-las ao urbanismo atual. Presente em civiliza\u00e7\u00f5es antigas que habitaram a Amaz\u00f4nia, por exemplo, essa \u00e9 uma ideia resgatada e defendida por pesquisadores e ativistas, como o escritor italiano Stefano Mancuso, refer\u00eancia internacional nos estudos sobre a intelig\u00eancia das plantas.<\/p>\n<p>Mancuso foi um dos participantes da 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Semin\u00e1rio Internacional Transmutar, realizado pelo Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), no \u00faltimo final de semana.<\/p>\n<p>O escritor e pesquisador apresentou <strong>o conceito das fit\u00f3polis, que se inspira na organiza\u00e7\u00e3o das plantas para propor uma transforma\u00e7\u00e3o radical na forma como s\u00e3o concebidas as cidades<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Tarifa zero pode garantir mais acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade, diz estudo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jovem morre ap\u00f3s queda de mais de 40 metros durante salto de rope jump no interior de S\u00e3o Paulo<\/strong><\/p>\n<p>A proposta \u00e9 pensar as cidades como organismos urbanos dotados de intelig\u00eancia, resili\u00eancia e capacidade de adapta\u00e7\u00e3o \u2500 uma estrat\u00e9gia concreta para combater a crise clim\u00e1tica e reduzir o abismo que se criou entre humanos e plantas nos \u00faltimos s\u00e9culos.\u2060<\/p>\n<p>Mancuso sugere que a verdadeira evolu\u00e7\u00e3o urbana n\u00e3o vem de solu\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas voltadas para o bem-estar humano, mas de uma intera\u00e7\u00e3o mais fluida e org\u00e2nica com a natureza, que reconhe\u00e7a o ser humano como parte de ecossistema mais amplo.\u2060<\/p>\n<p>\u201cAs plantas s\u00e3o sistemas altamente complexos, sofisticados, mas n\u00e3o s\u00e3o seres superiores a outros seres viventes. Hoje, a gente considera um pouco mais as plantas\u201d, disse o neurobi\u00f3logo italiano.<\/p>\n<p>Considerando as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e o aquecimento global, as fit\u00f3polis podem ser parte da solu\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que 70% da popula\u00e7\u00e3o mundial vive em cidades. A redu\u00e7\u00e3o de 20% do asfalto e sua substitui\u00e7\u00e3o por \u00e1reas arborizadas j\u00e1 ajudaria muito na qualidade de vida, defendeu o pesquisador. Mancuso acrescenta que as plantas tamb\u00e9m devem estar dentro dos edif\u00edcios.<\/p>\n<p><strong>Trump anuncia morte de l\u00edder de fac\u00e7\u00e3o venezuelana El Tren de Aragua<\/strong><\/p>\n<p><strong>TV Brasil exibe festas de S\u00e3o Jo\u00e3o do Nordeste neste s\u00e1bado<\/strong><\/p>\n<p>Fundador do Laborat\u00f3rio Internacional de Neurobiologia Vegetal da Universidade de Floren\u00e7a, ele avalia que <strong>uma fit\u00f3polis ideal teria uma cobertura vegetal de pelo menos 60%<\/strong>. Essa cidade tamb\u00e9m deveria ter uma rede de transporte p\u00fablico muito eficiente, al\u00e9m de nenhum ve\u00edculo movido \u00e0 combust\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\">O escritor e pesquisador italiano Stefano Mancuso participa do Semin\u00e1rio Internacional Transmutar,\u00a0 realizado pelo Instituto Inhotim, em Brumadinho. Foto:\u00a0<strong>Rovena Rosa\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=465680--><\/h6>\n<\/div>\n<p>O ec\u00f3logo e curador do Museu do Amanh\u00e3, Fabio Scarano, destacou que tudo que \u00e9 vivo \u00e9 inteligente, n\u00e3o apenas o ser humano. Para ele, o trabalho do professor Mancuso tem um efeito pol\u00edtico, porque, ao se reconhecer a intelig\u00eancia dos seres n\u00e3o humanos, talvez seja poss\u00edvel mudar de atitude e v\u00ea-los como irm\u00e3os, como defendia S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>\u201cEles n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 paisagem, n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 recursos para a gente consumir, 90% do planeta \u00e9 composto por cobertura vegetal. Ela colabora com oxig\u00eanio e alimentos. A obra do professor [Mancuso] populariza um conhecimento que \u00e9 cient\u00edfico e pouco discutido nas escolas\u201d, disse Scarano.<\/p>\n<h2>Cidades amaz\u00f4nicas<\/h2>\n<p>O arque\u00f3logo e antrop\u00f3logo Eduardo G\u00f3es Neves apresentou manifesta\u00e7\u00f5es de urbanismo ind\u00edgena de 2,5 mil anos atr\u00e1s no Acre. Depois, entre 1,5 mil anos e 1 mil anos atr\u00e1s, a urbaniza\u00e7\u00e3o ind\u00edgena se espalhou em diversas \u00e1reas da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201cA principal li\u00e7\u00e3o desse urbanismo antigo \u00e9 que ele n\u00e3o coloca a natureza para fora. Em S\u00e3o Paulo, matamos os rios, se tornaram dep\u00f3sitos de lixo. A gente excluiu muito a natureza\u201d, critica ele.<\/p>\n<p>O professor titular da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) ainda apontou que os bairros mais arborizados s\u00e3o mais ricos, enquanto o urbanismo atual d\u00e1 as costas para as popula\u00e7\u00f5es mais desassistidas.\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cA gente tem que pensar o futuro com a ideia de cidades jardins. Essas cidades antigas da Amaz\u00f4nia eram cidades jardins. Elas estavam entremeadas com as \u00e1reas de bosque. A gente tem que trazer a floresta de volta\u201d, disse o professor titular .<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>\u00a0<\/h2>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\">O arque\u00f3logo e antrop\u00f3logo Eduardo G\u00f3es participa do Semin\u00e1rio Internacional Transmutar, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente Inhotim, em Brumadinho. Foto: <strong>Rovena Rosa\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=465694--><\/h6>\n<\/div>\n<h2>N\u00eago Bispo<\/h2>\n<p>O tema deste ano do semin\u00e1rio foi Transflu\u00eancias, inspirado na obra do pensador quilombola Ant\u00f4nio Bispo dos Santos, conhecido como N\u00eago Bispo, que morreu em 2023 aos 63 anos.<\/p>\n<p>A programa\u00e7\u00e3o celebrou a 22\u00aa Semana do Meio Ambiente no Inhotim, maior museu a c\u00e9u aberto de arte contempor\u00e2nea da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>A diretora de Natureza, Opera\u00e7\u00f5es e Infraestrutura do museu, Alitah Mariah, explica que N\u00eago Bispo tem dois conceitos, a conflu\u00eancia e a transflu\u00eancia. Segundo ela, a transflu\u00eancia tem tudo a ver com o que o instituto pensou para o semin\u00e1rio, porque diz que todo pensamento e a\u00e7\u00e3o humana \u00e9 circular \u2500 n\u00e3o s\u00f3 humano mas tamb\u00e9m dos n\u00e3o humanos.<\/p>\n<p>\u201cPara tudo que vai, alguma coisa fica, que \u00e9 um pouco isso que a gente est\u00e1 tentando descobrir com esses pensadores. O que a gente pode se alimentar, trocar e transformar, e o que fica disso\u201d, disse a diretora.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\">A diretora de Natureza, Opera\u00e7\u00f5es e Infraestrutura do Instituto Inhotim, Alita Mariah, participa do Semin\u00e1rio Internacional Transmutar, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente, em Brumadinho. Foto:\u00a0<strong>Rovena Rosa\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=465660--><\/h6>\n<\/div>\n<p>A l\u00edder quilombola Joana Maria, filha de N\u00eago Bispo e moradora do quilombo Saco Cortume, no interior do Piau\u00ed, explica que o conceito de conflu\u00eancia vem do encontro dos rios. J\u00e1 a transflu\u00eancia \u00e9 o movimento e o encontro, mas ultrapassando barreiras.<\/p>\n<p>\u201cAchei muito interessante o tema do evento ser a transflu\u00eancia, porque a gente vive numa situa\u00e7\u00e3o hoje em que h\u00e1 muitas barreiras no cuidar do meio ambiente, no se relacionar com a natureza. A transflu\u00eancia tem o prop\u00f3sito de que \u00e9 poss\u00edvel, sim, pensar os nossos modos de vida, a forma como a gente cuida da natureza\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\">A pesquisadora Joana Maria, filha de N\u00eago Bispo, participa do Semin\u00e1rio Internacional Transmutar, com o tema Transflu\u00eancias, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente, em Brumadinho. Foto:\u00a0<strong>Rovena Rosa\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=465666--><\/h6>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cA gente tem que pensar a natureza como o lugar do afeto, do lugar do cuidado, do se relacionar. O rio tem que estar limpo para que eu possa tomar banho nele, comer o peixe\u201d, disse Joana.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Tecnologia e natureza<\/h2>\n<p>Para a gestora cultural colombiana Ana Ochoa Acosta, fundadora do departamento de cultura e comunica\u00e7\u00e3o do Parque Explora, em Medell\u00edn, na Col\u00f4mbia, a natureza tamb\u00e9m inclui o que produzimos com a tecnologia.<\/p>\n<p>\u201cRegressar ao para\u00edso arcaico \u00e9 imposs\u00edvel atualmente. Somos uma combina\u00e7\u00e3o de mundos org\u00e2nicos com inorg\u00e2nicos, de tecnologias que nos fazem distintos. Isso tamb\u00e9m \u00e9 natureza. A sabedoria \u00e9 aprender a conviver com essa complexidade da qual n\u00e3o podemos escapar\u201d, disse Ana.<\/p>\n<p>A bi\u00f3loga do Museu Em\u00edlio Goeldi, no Par\u00e1, Sue Anne Costa, contribuiu com o conceito de re-encantamento, para ajudar a ganhar outra perspectiva no processo decis\u00f3rio.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cO que os povos ancestrais tinham era esse encantamento com o territ\u00f3rio e o sagrado. Boa parte das decis\u00f5es atuais t\u00eam l\u00f3gicas produtivas, financeiras, de um suposto desenvolvimento. Essa l\u00f3gica precisa mudar\u201d, disse a pesquisadora.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>\u00a0<\/h2>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\">A coordenadora de comunica\u00e7\u00e3o do Museu Em\u00edlio Goeldi e professora da Universidade Federal do Par\u00e1, Sue Anne Costa\u00a0<strong>Rovena Rosa\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=465698--><\/h6>\n<\/div>\n<h2>Jardim Bot\u00e2nico<\/h2>\n<p>Reconhecido por seu acervo de arte contempor\u00e2nea, Inhotim tamb\u00e9m \u00e9 um jardim bot\u00e2nico que conserva mais de 1 mil esp\u00e9cies de plantas, regenera florestas nativas, protege a fauna silvestre e mant\u00e9m pesquisa cient\u00edfica voltada \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade brasileira.<\/p>\n<p>Com 140 hectares de visita\u00e7\u00e3o, est\u00e1 localizado em uma \u00e1rea de transi\u00e7\u00e3o entre Mata Atl\u00e2ntica e Cerrado, dois dos biomas mais diversos e amea\u00e7ados do pa\u00eds. A institui\u00e7\u00e3o j\u00e1 regenerou 75 hectares de floresta nativa e mant\u00e9m um estoque de 34.215,13 toneladas de carbono, quantidade que exigiria cerca de 1,26 milh\u00e3o de \u00e1rvores urbanas para ser armazenada.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<p>Jardins do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: <strong>Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=460688--><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><em>*A reportagem viajou a convite do Instituto Inhotim.<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As grandes cidades n\u00e3o podem mais dar as costas para as florestas e devem incorpor\u00e1-las&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-45050","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jogos-ao-vivo"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45050","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45050"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45050\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45050"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45050"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45050"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}