{"id":47603,"date":"2026-08-09T10:46:13","date_gmt":"2026-08-09T13:46:13","guid":{"rendered":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/2026\/08\/09\/combate-a-misoginia-comeca-pelo-exemplo-em-casa\/"},"modified":"2026-08-09T10:46:13","modified_gmt":"2026-08-09T13:46:13","slug":"combate-a-misoginia-comeca-pelo-exemplo-em-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ipatingafc.com.br\/index.php\/2026\/08\/09\/combate-a-misoginia-comeca-pelo-exemplo-em-casa\/","title":{"rendered":"combate \u00e0 misoginia come\u00e7a pelo exemplo em casa"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>Do gol a gol para o pique-pega. Do esconde-esconde ao skate, depois para o balan\u00e7o\u00a0e, em seguida, para a queimada. \u201cSamuca, vem almo\u00e7ar!\u201d, algu\u00e9m grita. \u201cS\u00f3 mais um pouco\u201d, responde o menino, de 8 anos. Mais corrida, pique-bandeirinha e come\u00e7a tudo de novo. O menino n\u00e3o se cansa, enquanto vive a pureza e a velocidade da inf\u00e2ncia. S\u00f3 parou um dia das f\u00e9rias para levar um papo mais s\u00e9rio com o pai.<\/p>\n<p>Era para falar de uma conversa que teve com um amigo, em que os dois riram porque viram um pouco demais do corpo de uma amiguinha. O pai, o goianiense Cleomar Barros, de 43 anos, morador de Bras\u00edlia, recorda que precisou falar s\u00e9rio. Disse que era preciso respeitar as meninas, como sempre tratou a irm\u00e3, de 11 anos. E que n\u00e3o se deve dar risada. O menino concordou e o abra\u00e7ou.<\/p>\n<blockquote>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\">\u00a0Cleomar Barros ensina o filho desde crian\u00e7a a respeitar as meninas \u2013 Foto\u00a0<strong>Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=471257--><\/h6>\n<\/div>\n<p>\u201cFa\u00e7o quest\u00e3o sempre de mostrar que devemos ser parceiros e amigos\u201d, diz Cleomar, que \u00e9 analista de sistemas. Ele destaca que tenta mostrar ao filho gestos de cuidado e respeito que tem com a esposa e com a filha.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Ali\u00e1s, a \u201ceduca\u00e7\u00e3o pelo exemplo\u201d \u00e9, segundo profissionais que estudam e trabalham com temas ligados \u00e0 \u201cmasculinidade saud\u00e1vel\u201d, uma chave para que os pais atuem contra a misoginia dentro de casa, segundo afirmaram em entrevistas \u00e0 Ag\u00eancia Brasil<\/strong>. Cada passo contra o machismo em casa (ou em qualquer outro espa\u00e7o) pode representar bem mais do que um presente de Dia dos Pais (que \u00e9 s\u00f3 uma vez ao ano).<\/p>\n<h2>A\u00e7\u00e3o afetiva<\/h2>\n<p>E<strong>m um cen\u00e1rio de tantas viol\u00eancias, de estupros coletivos a demonstra\u00e7\u00f5es de grupos masculinistas que demonstram \u00f3dio \u00e0s mulheres, a a\u00e7\u00e3o afetiva dos pais no tempo presente pode ser preventiva. <\/strong>Mais conscientes, pais podem agir pela consci\u00eancia dos meninos, ser mais parceiro das escolas e\u00a0cobrar pol\u00edticas p\u00fablicas que tragam condi\u00e7\u00f5es civilizat\u00f3rias.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Banco oferece cart\u00e3o Black com 12 meses de anuidade gr\u00e1tis; veja pontua\u00e7\u00e3o, salas VIP e regras<\/strong><\/p>\n<p><strong>R\u00e1dio Nacional homenageia Dia Internacional dos Povos Ind\u00edgenas<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cAs maiores e mais eficazes formas de aprendizado de uma crian\u00e7a se d\u00e3o por meio\u00a0do modelo que o pai apresenta\u201d, afirma o psicanalista Thiago Queiroz, que tem uma p\u00e1gina intitulada \u201cPaizinho, v\u00edrgula!\u201d, com mais de 324 mil seguidores, e \u00e9 autor do livro <em>Amor de pai<\/em>.\u00a0No instagram, a p\u00e1gina pode ser vista neste link.<\/p>\n<\/blockquote>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\">O psicanalista Thiago Queiros diz que respeito \u00e0s mulheres precisa ser naturalizado \u2013\u00a0Foto Thiago Queiroz\/Arquivo pessoal\u00a0<\/h6>\n<\/div>\n<p><strong>Ele, que atua no Rio de Janeiro, diz que o respeito \u00e0s mulheres precisa ser naturalizado em todos os espa\u00e7os que frequenta com as crian\u00e7as. \u201cEsse processo \u00e9 interpretado pela crian\u00e7a, pelo filho, \u00e0 medida que vai crescendo\u201d, acrescentou.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Para Cleomar, a qualquer momento, \u00e9 necess\u00e1rio observar se os meninos fazem coment\u00e1rios inadequados sobre as meninas. \u201cExistem muitos livros infantis que trazem esse assunto de\u00a0forma l\u00fadica para naturalizar a for\u00e7a das mulheres e que n\u00e3o precisam de um pr\u00edncipe encantado para salv\u00e1-las sempre\u201d. Na pr\u00e9-adolesc\u00eancia, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel, segundo ele, tratar do tema\u00a0viol\u00eancia\u00a0contra as mulheres.<\/p>\n<h2>Mais aten\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p><strong>A psic\u00f3loga B\u00e1rbara Lobato, que atua em Bras\u00edlia com fam\u00edlias, concorda com a interven\u00e7\u00e3o positiva. Ela tem observado que aumentou\u00a0o n\u00famero de pais atentos ao combate \u00e0 misoginia. \u201c\u00c9 uma constru\u00e7\u00e3o que tem de\u00a0ser feita\u00a0 de forma cotidiana\u201d.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Para B\u00e1rbara, \u00e9 muito importante que os homens saibam, na vida adulta, identificar e falar sobre as suas dores para que possam transmitir as melhores mensagens aos filhos, de forma que estejam abertos ao di\u00e1logo, \u00e0 transpar\u00eancia e \u00e0 conex\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p><strong>\u201c\u00c9 importante observar que garotos em idade de adolesc\u00eancia t\u00eam as pr\u00f3prias dores e, eventualmente, relatam algum tipo de neglig\u00eancia afetiva ou social por n\u00e3o se sentirem compreendidos\u201d.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Por isso, ela indica ser necess\u00e1rio, com o apoio dos respons\u00e1veis, acolher esse sentimento e compreender a ang\u00fastia daquele rapaz. Esse caminho deve ser compartilhado tamb\u00e9m no ambiente escolar, espa\u00e7o em que crian\u00e7as e adolescentes podem ter contatos tamb\u00e9m com representa\u00e7\u00f5es de machismo.<\/p>\n<h2>Mundo da escola<\/h2>\n<p><strong>A professora e orientadora educacional Ana Paula Lilly, de 56 anos, de uma escola da cidade de Bauru (SP), observa\u00a0que os discursos de misoginia chegam aos adolescentes tamb\u00e9m por grupos de mensagens no celular.<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201c\u00c9 preciso trabalhar com preven\u00e7\u00e3o, com educa\u00e7\u00e3o digital e midi\u00e1tica. \u00c9 preciso ensinar nossos jovens a analisar criticamente o que eles est\u00e3o consumindo\u201d, afirma.\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Ana Paula explica que a escola deve auxiliar os pais sobre o que crian\u00e7as e adolescentes vivenciam quando n\u00e3o est\u00e3o em casa<\/strong>. \u201cFam\u00edlia e escola devem agir em parceria com mensagens coerentes sobre respeito, igualdade e responsabilidade\u201d. Por isso, \u00e9 dever da unidade de ensino tamb\u00e9m chamar os pais ou respons\u00e1veis quando houver incid\u00eancia de demonstra\u00e7\u00f5es de viol\u00eancias.<\/p>\n<h2>Rede paterna<\/h2>\n<p><strong>Para ampliar as discuss\u00f5es sobre a paternidade, um grupo de pais em S\u00e3o Paulo criou, na \u00faltima semana, o canal de v\u00eddeos Papicast. para ser um espa\u00e7o de discuss\u00e3o e uma rede de apoio paterna.<\/strong> Tiago Koch, de 43 anos, defende que os pais apresentem aos\u00a0filhos\u00a0 limites nas quest\u00f5es relacionadas ao corpo.\u00a0<\/p>\n<p>Ele, que \u00e9 cofundador tamb\u00e9m de um projeto chamado \u201cDe Mano pra Mano\u201d de atua\u00e7\u00e3o nas escolas diretamente com meninos, avalia que os garotos est\u00e3o \u201cpedindo ajuda em sil\u00eancio\u201d sobre como se relacionar com as meninas. Para ele, o machismo estrutural faz parte do contexto de vida dos garotos, e eles precisam contar com o apoio dos pais para entender mais sobre o mundo.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1\u00a0um ensinamento (perigoso) cada vez mais refor\u00e7ado por esses grupos masculinistas\u00a0e pelas pr\u00f3prias redes sociais\u201d, afirma.\u00a0<\/p>\n<p><strong>O educador aponta que os meninos carecem de espa\u00e7os de escuta, e de constru\u00e7\u00e3o de caminhos propositivos que fujam de estere\u00f3tipos de homens atravessados pela viol\u00eancia, for\u00e7a, performance da masculinidade, da provis\u00e3o financeira e da hipersexualiza\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Tiago Koch considera que os pais est\u00e3o com d\u00favidas sobre como lidar com as caracter\u00edsticas de um mundo diferente porque n\u00e3o contam com refer\u00eancias dos antepassados. \u201cEles est\u00e3o sendo atropelados principalmente pelo avan\u00e7o da tecnologia que, a cada dia, traz novos desafios\u201d.<\/p>\n<p><strong>Tamb\u00e9m no Papicast,, o ator e conferencista\u00a0Tadeu Fran\u00e7a \u2013\u00a0pai de dois meninos -, que trata de temas como antirracismo e antibullying na inf\u00e2ncia, exemplifica que os filhos reconhecem quando o homem e a mulher atuam pelo cuidado da casa.<\/strong> \u201cEm algum momento da cria\u00e7\u00e3o, ele entendeu e associou que as coisas da casa s\u00e3o da m\u00e3e\u201d.<\/p>\n<p><strong>O terceiro participante do projeto, Dennis Takada, relata que os pais queriam ter mais tempo para ficar com os filhos<\/strong>. \u201cAs pol\u00edticas p\u00fablicas devem levar em conta as necessidades da paternidade e s\u00e3o fundamentais para melhorar a rela\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia\u201d.<\/p>\n<h2>Meninas<\/h2>\n<p><strong>Os integrantes do Papicast defendem mais a\u00e7\u00f5es no campo de direitos dos pais, como a licen\u00e7a paternidade, e materiais educativos e de orienta\u00e7\u00e3o \u00e0s fam\u00edlias. <\/strong>Tiago Koch considera que as meninas t\u00eam reconhecido mais imediatamente demonstra\u00e7\u00f5es de machismo e cobrado dos rapazes uma postura diferente.\u00a0<\/p>\n<p><strong>\u201cElas continuam precisando de pol\u00edticas p\u00fablicas de prote\u00e7\u00e3o e de escuta. Quando elas falam que os homens est\u00e3o sendo machistas, pode virar ressentimento, \u00f3dio e viol\u00eancia. E eles n\u00e3o entendem\u201d, afirmou.\u00a0<\/strong><\/p>\n<h2>\u201cN\u00e3o engolir o choro\u201d<\/h2>\n<p>Foi\u00a0a partir das dores, que aprendeu em casa, que o terapeuta F\u00e1bio Manzoli, de Jundia\u00ed (SP), pai de g\u00eameos e criador do canal \u201cMasculinidade saud\u00e1vel\u201d, resolveu tratar dos traumas de outros homens. Tinha na mem\u00f3ria a ordem que ouviu em casa: \u201chomem deve engolir o choro\u201d.\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\">O terapeuta F\u00e1bio Manzoli, de Jundia\u00ed (SP), criou o canal \u201cMasculinidade saud\u00e1vel \u2013 Foto F\u00e1bio Manzoli\/<strong>Arquivo pessoal<\/strong><!--END copyright=471309--><\/h6>\n<\/div>\n<p>Em contrapartida, ouviu palavras pejorativas para se referir a mulheres. \u201cComecei a perceber tamb\u00e9m padr\u00f5es machistas em mim\u201d. Mudou a pr\u00f3pria hist\u00f3ria, depois de entender que o caminho de sua vida poderia ser diferente. \u201cComecei a perceber que esse \u2018engole o choro\u2019 era a raiz da maioria dos meus problemas\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>O nascimento dos filhos abriu ainda mais seus olhos. N\u00e3o somente abriu, como tamb\u00e9m deixou molhar. \u201cN\u00f3s pais podemos chorar para eles tamb\u00e9m. Mostrar que a gente \u00e9 ser humano. E que eles tamb\u00e9m est\u00e3o autorizados a chorar\u201d, disse.<\/p>\n<p><strong>Romper o sil\u00eancio permanente dos homens pode ser mais um dos passos no combate \u00e0 misoginia de todos os dias<\/strong>. \u201cRomper tamb\u00e9m com a hist\u00f3ria das mensagens machistas que eram tidas como naturais. Eu cresci, meus amigos cresceram, com ideias muito erradas. Chegou a hora de a gente mudar isso\u201d, diz Cleomar, pai do Samuca.\u00a0O\u00a0menino corre, brinca e \u00e9 f\u00e3 da irm\u00e3 mais velha.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do gol a gol para o pique-pega. 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